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quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Contingencies




Contingencies

Sometimes a slight slouch
ruins everything.  Or the place
where  mottled light filters
 through an otherwise perfect
moment.  Other times, however
it is not a matter of detail.  You need
no lens, no microscope, for the forest
is afire in your face,  the
botched plans  lurking there
from the start, and everyone knew
it:  the teacher,  the mailman,  
the street sweeper
and you.
  or maybe you didn´t:
foolish girl,  never bothering to learn
the  formulae, and  being, by nature,  
so impatient.

-   Miriam Adelman

terça-feira, 9 de setembro de 2014

Belly Dancer/ Dança do Ventre -Diane Wakoski



Belly Dancer
By Diane Wakoski


Can these movements which move themselves
be the substance of my attraction?
Where does this thin green silk come from that covers my body?
Surely any woman wearing such fabrics
would move her body just to feel them touching every part of her.

Yet most of the women frown, or look away, or laugh stiffly.
They are afraid of these materials and these movements
in some way.
The psychologists would say they are afraid of themselves, somehow.
Perhaps awakening too much desire—
that their men could never satisfy?
So they keep themselves laced and buttoned and made up
in hopes that the framework will keep them stiff enough not to feel
the whole register.
In hopes that they will not have to experience that unquenchable
desire for rhythm and contact.

If a snake glided across this floor
most of them would faint or shrink away.
Yet that movement could be their own.
That smooth movement frightens them—
awakening ancestors and relatives to the tips of the arms and toes.

So my bare feet
and my thin green silks
my bells and finger cymbals
offend them—frighten their old-young bodies.
While the men simper and leer—
glad for the vicarious experience and exercise.
They do not realize how I scorn them;
or how I dance for their frightened,
unawakened, sweet
women.


Dança do Ventre.

Podem estes movimentos que se impulsionam
ser a substância da minha atração?
De onde vem esta fina seda verde que cobre meu corpo?
Certeza qualquer mulher que vestisse semelhante tecido
movimentaria seu corpo só para sentí-lo tocar cada parte dela

 
Mas as mulheres aqui franzem a testa, desviam o olhar, dão risada nervosa.
Elas têm medo dos materiais e dos movimentos
por algum motivo.
Os psicólogos diriam que têm medo delas mesmas, de alguma maneira.
Talvez por despertar desejo em excesso -
algo que seus homens nunca poderão satisfazer?
Por isso se cobrem e se abotoam e mantém a pose
torcendo que o modelo as impeça de sentir
o registro completo.
torcendo que não terão que experimentar aquele insaciável
desejo de ritmo e de toque.

 
Se neste momento uma cobra deslizasse pelo chão
elas, na maioria, desmaiaria ou se encolheria
Mas esse mesmo movimento poderia ser delasAquele movimento suave que as assusta,
acordando seus ancestrais, seus parentes até a ponta do braços e os dedos dos pés.

 
É por isso que meus pés descalços
e minha fina seda verde
meus sinos e minhas castanholas
as ofendem, assustam seus jovens corpos velhos
Enquanto os homens sorriem e babam-
gratos pela experiência e o exercício vicário.
Eles não percebem o quanto os desprezo
nem como eu danço para suas
doces, desacordadas
mulheres.


tradução:  Miriam Adelman

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Where are all the men?

Where are all the men?

He’s still driving his flatbed rig
across the highways of America
while Rosa wheels her cleaning ladies’ cart
room to room at the Best Western
in Minneapolis.
She still goes to church on Friday evenings
and on Saturday ice cold on the way to Safeway
with the food stamps stuffed in her back pocket,
  the girls at home huddled under the covers.

Clara, though , married her girl friend.
They went to Canada.
And Mary’s got a new job
in the old narrative order, she's
  keeping the foot soldiers quiet.
Manny, now, is glad to have gotten a girl`s job
he is so sweet to the clients and so beautiful in his beige leggings
And then there’s Felicia
speeding her black horse madly around the barrels
and dreaming of how she would ride the broncs
if only the West were still wild

sábado, 25 de junho de 2011

Outro poema de Diane di Prima

Novos empreendimentos, novas traduções. Vai uma primeira versão
de mais um poema de Diane di Prima (disculpem, mas por algum motivo
não consigo manter o formato do poema ao passá-lo aqui para o blog):

THE LOBA ADDRESSES THE GODDESS/OR THE POET AS PRIESTESS ADDRESSES THE LOBA-GODDESS

A LOBA SE DIRIGE À DEUSA/OU A POETA COMO SACERDOTISA SE
DIRIGE À LOBA-DEUSA.

Não é a teu serviço que eu me desgasto
correndo em farrapos entre as colinas, levando as crianças
de carro para assistir filmes esquecidos? A teu serviço
vassoura e caneta. Os banquetes monstruosos
que servimos para os outros na varanda
(em casa temos só arroz e sal)
E vestimos nossa exaustão como um roupão pintado
Eu & minhas irmãs
resgatando a mercadoria de pais
avaros e moribundos

curando umas às outras c/água e ervas amargas
de jeito que quando ficamos nuas, de pé no círculo da luz
(do lado do poço pequeno, na pequena mata próxima)
não revelamos nenhum defeito, também nenhuma
beleza supérflua.
Foi-se, nas medidas da noite.
Ô Semente, Ô manto de estrelas, tentamos te capturar
esguio, de luto
esfarrapado, triunfante

desgrenhado como um gramado

nossa pele dói do parto/escuridão da lua.

versão: Miriam Adelman

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Um poema de Diane di Prima

Amiga dos "grandes nomes" da geração Beat e escritora de poesia e prosa,
a Diane di Prima merece ser mais conhecida por aqui também. Vai, pois,
a minha primeira e pequena contribuição nesse sentido:

Carta Revolucionária #1
(Revolutionary Letter #1)

Acabo de perceber que o que está em jogo sou eu
Não tenho outra moeda de resgate, nada para
quebrar ou trocar, a não ser minha vida
meu espírito parcelado, em fragmentos, esparramado sobre
a mesa de roulette, eu recupero o que posso
só isso para enfiar embaixo do nariz do maitre de jeu
só isso para jogar pela janela, nenhuma bandeira branca
só tenho minha pele para oferecer, para fazer minha jogada
com esta cabeça imediata, com aquilo que inventa, é a minha vez
enquanto deslizamos sobre o tabuleiro, e sempre pisando
(assim esperamos) nas entrelinhas

Diane di Prima
versão: Miriam Adelman

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Traduzindo...

Nestes dias, li uma fala de um escritor argentino (preciso lembrar
seu nome!) que disse que traduzir alguém é se apaixonar por suas palavras (ou
melhor dito , escolhemos traduzir alguém por estarem apaixonad@s
por suas palavras). Needless to say, amei essa frase.

Bom, hoje vai um poema de um poeta novo para mim, Tony Hoagland
(nascido nos EUA em 1953), dica repassada por minhas irmãs.
Este poema dele -versão ainda não revista por nenhuma das minhas
revisoras amigas-, deve ser seu diálogo com o maravilhoso America de Ginsberg (e também, com o "Supermarket em
California", um dos meus poemas preferidos, de todos os
poetas em todos os tempos):

América
Tony Hoagland

E daí um dos meus alunos com o cabelo azul e um piercing na língua
Me disse que a América é para ele uma prisão de segurança máxima

Seus muros feitos de RadioShacks e Burger Kings e episódios da MTV
Onde programas e comerciais se confundem

E enquanto eu pondero como lhe dizer que ele só fala merda
Ele relata que mesmo quando vai rumo ao shopping
no seu Isuzu

Trooper com seu bando de amigos, a música rap
derramando sobre eles
Como uma hidromassagem fervente cheia de martelos de metalúrgico,
mesmo nesse então

Ele se sente enterrado vivo, preso e asfixiado nas dobras
Do volumoso edredom de seda da América

E eu me pergunto se é esta uma legítima categoria de dor
Ou só enrolação para granjear uma boa nota

E daí eu lembro que quando eu apunhalei meu pai ontem no meu sonho
Não era sangue senão dinheiro

Que jorrava dele, resplandecentes notas verdes de cem dólares
Que saiam das suas feridas – e é esta a parte estranha -,

Que ele arfava “ Graças a Deus – esses Ben Franklins estavam
Entupindo meu coração –

Assim eu morro tranqüilamente
Liberado daquilo que me impedia minha liberdade”

E foi nesse momento que eu percebi que era sonho, porque meu pai
Nunca ia me falar em estrofes rimados,

E eu olho para esse aluno com seu acne e seu telefone celular
e sua roupa de vileiro falso
E eu penso “Eu também estou na América dormindo

E também não sei como fazer para acordar”
E daí eu lembro o que o Marx falou perto do final da sua vida:

“Eu estava ouvindo os gritos do passado
Quando devia estar escutando os gritos do futuro”

Mas como ele ia imaginar os cem canais de tv a cabo 24 horas
Ou que tipo de pesadelo seria

Quando todos os dias você assiste passar os rios coloridos de mercadorias
E você boiando no teu barco de prazer neste rio

Mesmo enquanto os outros se afogam embaixo de você
E você vê seus rostos retorcidos na superfície das águas

E a mão que fica aumentando o volume
parece ser a tua?

segunda-feira, 21 de março de 2011

Pequena tradução ainda sem revisão...

Enquanto prepare nova crônica, vai este pequeno trabalho:

Eu acordo no meio da noite e me pergunto se já te levaram.

de Sandra Cisneros


A qualquer momento, os soldados podem chegar.
A qualquer segundo, Sarajevo pode render-se.
Como também podemos abrir mão do incômodo de sobreviver.

A qualquer momento, esse exato segundo pode acabar contigo.
A qualquer momento decisivo, Deus pode não dar a mínima.
Você está lá, naquela cidade. Você não importa. Você não é história.

Eu na minha cama com edredom e lençóis antigos,
E ao lado, um altar de Buddhas e Madres Dolorosas
renda fina e espelhos de Storyville,
Estou aqui. Acordei de um pesadelo.

Eu como você sou mulher.
Tampouco importo –
Nada que eu diga
Nada que eu faça.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Work in progress...

ORIENTAL BARBIE

Denise Duhamel
versão: Miriam Adelman

Ela pode ser do Japão, do Hong Kong, da China,
das Filipinas, do Vietnã, da Tailândia o da Coréia.
A menininha que brinca com ela pode decidir:
O sul, o norte, uma província
nebulosa. Tanto faz, segundo a Mattel, que relata
que esta Barbie continua tendo “olhos arredondados”
porém “boca e busto menores” do que
sua irmã dos EUA. As meninas, como alguns homens já crescidos
gostam da variedade, desde que bonita, desde que
haja cabelo comprido para mexer.
Num comercial nas horas noturnas, a Manhattan Cable
oferece um serviço de acompanhantes “Geishas to Go”
garotas do “Oriente, onde os homens são rei...”
O Ken Branco deita barriga para baixo
enquanto uma Barbie Oriental caminha sobre suas costas.
Ou é uma mulher de verdade pisando no Ken?
Ou uma Barbie Oriental pisando num homem real?
Você precisa viajar ao Japão
para comprar esta Barbie específica. Uma garota geisha
pode chegar à porta do teu apartamento em Nova Iorque
em menos de uma hora. Por sinal,
não existe um Ken Oriental.
Os que estudam o delicado equilíbrio
do comércio e câmbio americanos
entenderão.

Workin' on it...

Mais um poema da genial Denise Duhamel, que estou traduzindo.
Curtam primeiro a versão original:

ORIENTAL BARBIE
Denise Duhamel (from Kinky, Orchises Press, 1997)



She could be from Japan, Hong Kong, China,
the Phillipines, Vietnam, Thailand or Korea.
The little girl who plays with her can decide.
The south, the north, a nebulous
province. It´s all the same, according to Mattel, who says
this Barbie still has “round eyes”
but “a smaller mouth and bust”
than her U.S. sister. Girls, like some grown men,
like variety, as long as it’s pretty, as long
as there’s long hair to play with.
On a late night Manhattan Cable commercial
One escort service sells Geishas to Go,
girls from “the Orient, where men are kings…”
White Ken lies on his stomach
while an Oriental Barbie walks on his back.
Or is it a real woman stepping on Ken?
Or Oriental Barbie stepping on a real man?
You have to travel to Japan
to buy this particular Barbie doll. A geisha girl
can be at your door of your New York apartment
in less than an hour. Of course,
there is no Oriental Ken.
Those who study the delicate balance
of American commerce and trade understand.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

"Barbie bicentenária"

Eis aqui, a nova tradução.
Consegui preparar rápido, graças às excelentes sugestões da Sabrina.
E como sempre, trata-se de trabalho em andamento, assim que aceitamos
sugestões e comentários.


BARBIE BICENTENÁRIA.

Por ser a boneca mais popular
do século XX, a Barbie é enterrada
numa cápsula do tempo na Filadélfia
no dia 4 de julho, 1976. Ela é espremida entre
uma embalagem vazia de Kentucky Fried Chicken
e uma lata cheia de Coca-Cola, pois virou
ícone cultural e agora tem que pagar o preço.
Ela se lembra de um tempo
em que ainda poucas meninas a conheciam
e não precisava fazer tanta pose.
Agora, sendo verdadeiro item para colecionador,
precisa garantir – cada cabelo no seu lugar!
Eu acabo de ser eleita
Garota Personalidade, uma categoria superlativa
do anuário escolar. Posso
posar para foto com o fofinho
do Garoto Personalidade, o primeiro
e único jogador do time de futebol
que quer sair comigo.
Ele diz querer namorar firme comigo
e com outra garota ao mesmo tempo.
Não acho justo, mas sendo Garota Personalidade
demoro demais para o conseguir dizer.
Veja, eu já passei da idade de brincar de boneca,
mas por algum motivo se implantaram no meu subconsciente.
Eu não me pareço nada com a Barbie,
então talvez nem mereça um namorado todo meu. Pior ainda, a meu ver,
minha rival lembra uma delas.
Quando finalmente, constrangida, escrevo um bilhete
para o Garoto Personalidade, o enfio na fresta do
armário errado. O garoto-ninguém que o encontra
não quer devolver, nem quando peço
muito educadamente. Logo todos vão saber
que não sou sempre bem-humorada.
Temendo um escândalo, peço conselhos
aos Mais Bem-vestidos e Os com Maior Probabilidade
de Sucesso na Vida. Estes dizem não se importar
com o que as massas pensam. Sinto que mentem –
mas podem retirar meu título Garota Personalidade,
nem ligo mais. Pelo menos estou melhor
que aquela Barbie Bicentenária que ficará
numa abafada cápsula até o ano 2076.
Talvez ao final, a pressão terá sido excessiva.
Talvez – como eu – , poderá se expressar.
Talvez venha a piscar para a lata de Coca-Cola
antes de sacudirem, explodirem, detonarem
com tudo.


Denise Duhamel
Tradução: Miriam Adelman
Revisão: Sabrina B. Lopes



Em 29 de junho de 2010 12:16, Miriam Adelman escreveu:

terça-feira, 29 de junho de 2010

Preparo nova tradução...

Gente, aproveito o momento para postar mais um poema
de Denise Duhamel em versão original. Minha
versão ao português aparecerá por aqui em breve...


BICENTENNIAL BARBIE

Because she is the most popular doll
of the twentieth century, Barbie
is buried in a time capsule in Philadelphia
on July 4, 1976. She is scrunched between an empty Kentucky
Fried Chicken bucket and a full Coca- Cola can.
She’s become a cultural icon and now she has to pay
the price. She remembers a time
when just a few girls knew her
and she didn´t have to put on such airs.
Now a full-fledged collectible, she has to make sure
every hair is always in place. I’ve just been voted
Best Personality, a superlative category
in our junior high yearbook. I’m able to pose
for a picture with the cute Best Personality boy,
the first and only football player
to ever ask me on a date.
He says he wants to go steady with me
and another girl at the same time.
I don’t think it’s fair but being the Best Personality girl,
it takes me a long time to say that.
You see, it’s turned out that although I’m too old
to still play with fashion dolls, they’ve somehow become implanted
in my subconscious. I don’t look anything like Barbie so maybe I don’t deserve
a boyfriend of my own. And to make things worse, in my mind,
my rival resembles Barbie quite a bit
When I finally write the Best Personality boy
an angry note, flustered, I slip it between the slots
of the wrong locker. The nobody boy who finds it
won’t give it back, even when I ask him politely.
Soon everyone will know I’m not always in a good mood.
Fearing a scandal, I ask advice
of the Best Dressed and Most Likely to Succeed.
They say they don’t care what the masses think –
and though I sense they’re not telling the truth-
suddenly it doesn’t matter if my class
takes my Best Personality honor away or not.
At least I know I’m better off
than that one repressed Bicentennial Barbie
who’ll be stuck in that stuffy time capsule
until the year 2076. Maybe
when she finally comes out, the pressure
will have been too much. Maybe she’ll be able, like me,
to express herself. Maybe she’ll wink at the Coca-Cola can
before they both shake, explode, make a mess.


- Denise Duhamel, do livro KINKY

sábado, 22 de maio de 2010

Versão...

Gente, aí vai, já incorporando algumas sugestões do amigo
Marcelo Toffoli...

CASAMENTO

- Denise Duhamel (do livro Kinky)

Barbie imagina se seria traição
sonhar com namorados, bonecos que
Mattel nunca fabricou para suas brincadeiras.
Um com dreads rastafári feitos de pelúcia
Em lugar de duros arcos de plástico,
Outro gordinho, meio calvo
Com óculos de John Lennon
E um terceiro com um nariz grande e sexy
como Gerard Depardieu.
Porém, supõe ela, seu Ken é mesmo inofensivo
Peitoral todo sarado afastado por rígidos seios
que não cedem ao toque
e ele não pode lhe obrigar à nada
quando ela não está
com vontade.
Ela se lembra das últimas palavras
da descontinuada boneca Midge,
“Hey Barbie, não complique,
É um casamento, não é?”
Desde o outro lado do corredor
Entre o monte de brinquedos pra menino
O Soldado Joe de vez em quando olha pra ela
Mas não faz exatamente seu tipo.
Ela na sua caixa, com elásticos que prendem
Seus braços.
A capa de plástico distorce sua visão
Do mundo.
Não é só aventura romântica o que ela deseja::
Há passeios de balão,
Aulas no curso noturno, trabalho de caridade.
Barbie se consola, reconhecendo que não é
Muito diferente do resto de nós, de como jogamos:
Entre gratidão e ambição,
Passividade e culpa.





versão: Miriam Adelman.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Promessas...

Gente, passou voando um mês inteirinho, sem nenhuma postagem nova!
Continua sendo minha intenção escrever a segunda parte do ensaio dedicado a Fatima
Mernissi, e muitas outras coisas. Mas o semestre está num momento crítico, ando
sem tempo para vários projetos, e ainda escrevendo palestras de última hora, para "atender a demanda"... Em todo caso, consegui escolher mais um poema de
Denise Duhamel para traduzir, e reproduzo aqui a versão original, prometendo ter
uma versão preliminar em português, se for possível, antes do final do mês.

MARRIAGE


Barbie wonders if it’s cheating
when she dreams of fashion doll boyfriends
Mattel never made for her to play with.
One with Rastafarian dreadlocks –
spun with fuzz, not stiff
like the arcs of a plastic Jello mold.
Another chubby and balding
with John Lennon glasses.
And a third with a big sexy nose
like Gerard Depardieu.
Still, she supposes, Ken is harmless enough.
His pecs kept at bay by her stiff unyielding breasts.
And there is nothing he can force on her
When she’s not in the mood.
She remembers discontinued Midge’s last words:
“Hey Barbie, it’s a marriage, don’t knock it.”
From the stack of boy’s toys across the aisle,
GI Joe occasionally gives Barbie the eye,
though he’s not exactly what she has in mind.
In her box, elastic bands hold back her arms
And the plastic overlay she peers through
distorts her view of the world.
It’s not only a romantic fling she desires:
there are hot air balloon rides,
night school classes, charity work.
Barbie comforts herself
knowing she’s not much different
from the rest of us, juggling gratitude,
ambition, passivity and guilt.


- Denise Duhamel

domingo, 4 de abril de 2010

"Manifest Destiny"- primeira versão!

Trabalhei já na tradução do poema de Duhamel, e estou ansiosa para deixá-la à disposição d@s leitores/as que tenho por aqui. Sugestões aceitas, como sempre.
Aliás, pretendo continuar o trabalho... o livro ("Kinky") como um todo é realmente genial.

Obrigada,mais uma vez, à Sabrina Lopes, pelas correções/sugestões.

Destino Manifesto.

Nas Filipinas
as trabalhadoras das fábricas
de bonecas de moda
recebem um bônus em dinheiro
se se esterilizam. Nas esteiras,
rodam com excesso de velocidade
pedaços de corpos.
Nada a ver com o famoso episódio da tv
quando Lucy e Ethel experimentam
um dia de trabalho, botando chocolates dentro de caixas
numa linha de produção nos Estados Unidos. Elas
enchem suas bocas com uma boa parte
dos doces que vêm velozmente, dão risadas
de baba marrom quando são despedidas porque
realmente não tem importância –
Ricky e Fred têm bons empregos.
Para provar que são eles mesmos
os que devem trabalhar,
os garotos fazem uma bagunça na cozinha
da Lucy, uma panela de arroz explodindo
como um vulcão branco. As mulheres
nas Filipinas e noutros lugares ponderam
o big business, os benefícios de descontinuar
a própria linhagem. Nos seus sonhos
estas mulheres embalam úteros de Toys R Us
enquanto uma Barbie estéril, seu cabelo preso
sob um capacete de Lucite, finca a bandeira da Mattel
numa lua que pouco convence.


-Denise Duhamel, tradução: Miriam Adelman.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Next...

Amig@s:
Depois de vários dias de
ponderação, escolhi este poema de Denise Duhamel,
para a próxima tradução:

MANIFEST DESTINY

In the Philippines
women workers in fashion doll factories
are given cash incentives
for sterilization. Body parts roll
too fast on conveyor belts.
It’s not like the famous episode
in which Lucy and Ethel
try a day of work, boxing chocolates
on an assembly line in the U.S. They stuff
most of the quick-coming candy
into their mouths, laugh brown drool
when they are fired because it really doesn’t matter –
Ricky and Fred have good jobs.
To prove they’re the ones
who belong at work, the men on t.v.
make a mess in Lucy’s kitchen,
a pot of rice exploding
like a white volcano. The women
in the Philippines and elsewhere ponder
big business, the benefits
of discontinuing its own children. In dreams
these women package Toys “R” Us Uteruses
while a sterile Barbie, her hair tucked up
inside her Lucite helmet, plants
a flag for Mattel on the cheesiest moon.

Denise Duhamel (from her book Kinky)

Escolha nada fácil, pois o livro está cheio de poemas
muito bons e os mesmos, muito cheios de "desafios" para @ tradutor(a).
Mas vamos lá... logo aparecerá por aqui, a versão!

domingo, 10 de janeiro de 2010

Contribuições...

Com este poema da escritora curitibana e grande amiga minha,
Claudia Borio, @s lembro que a proposta de Juntando Palavras é cultivar um espaço de troca literária. Assim, espero neste ano receber cuentos, crônicas e poemas de vocês, querid@s amig@s, em inglês, português ou espanhol...


Separação

(para Giorgia)

Ela estava incrivelmente bela
E digna.
Eles a tinham convidado
Para tirar fotografias de uma festa,
Nada menos,
Como se ela não tivesse
Mais com o que se preocupar.
Ela tomou somente uma cerveja
E tirou algumas fotos,
Desinteressadamente.
No entanto, lembrava-se.
Seu cãozinho, que morrera,
Luto por uma relação, por uma época,
Tudo o que acabara.
Lágrimas concentradas.
E hoje ele estava aqui,
Aquele homem,
De cabelos raspados, como ela
Sempre o descrevia,
Tudo o que ela deixara para trás,
Tudo ao que renunciara,
Tudo o que tinha dado errado
Ou que tinha significado
Algo que fracassara.
Ele viera para a Grande
Divisão dos Bens.
Era um bom homem,
Diziam os que o conheciam.
Mas ela também, fôlego,
era
Uma Boa Mulher.
Dividiram, então, os CDs
E ele ficou com os Rolling
Stones. Mas eu gosto mais
Do que você, disse ela.
Ele não se interessou
Por seus argumentos
E ficou com todos eles,
Mesmo aqueles de que ele não
Gostava

-- Claudia Borio

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

First post of the new year!

Here´s my newest "work-in-progress":


This is not a love poem…

Hey babe, just in case you haven’t noticed
we are not nor have we ever been in
Hollywood.
There are girls out there for you, a true plethora
but not one with Angelina’s eyes and mouth, Raquel´s
bra-size and a roll of witty comments written
into the script.
No one out there for me
as sleek and daring - and gentle -
as Johnny, and of course, no endings with that perfect
closure
of babies and no-place-like -home.
Around here things are looking more like
a freak show these days,
the littered carnival grounds where after hours
a few desperate creatures come scampering in
to scavenge,
or many unedited hours of footage
and when the lights go on
or when the sun comes up
i am here alone with my headache and you,
across town, with your change
strewn across the floor to
remember how much you spent last night
looking for happiness or at least
a few cold moments of pleasure.

Hey babe, this is just the first cold winter of a
new millennium
where we can still sit in warm cafés and read
the newspaper and argue
about the worth of our words. Put your
pen to the paper. Love
your daughter. Open your heart and
this time, don’t be late:
next train to paradise, quarter past twelve.
.

domingo, 20 de dezembro de 2009

"It´s my body" - Denise Duhamel.

[A nova tradução está quase pronta... por enquanto, posto em versão original]

“There was a time when Barbie couldn’t even
bend her knees,” I told my nieces Kerri and Katie
who sit before me on a living room floor
in blue and pink collar America.
They are strapping their Rock-n-Roll Barbies
into tiny leatherette pants
and big black guitars
with jagged lightning hips. Katie hands me
her doll because she needs help
with the tiny buttons that snake the back
of Barbie’s off-the-shoulder blouse. “My first Barbie
couldn´t even twist her waist”. I am talking
like a person who has lived long enough
to see significant change. My nieces
have their backs to the TV which seems always on,
wherever I am. And behind their blond
innocent heads, Jessica Hahn
makes a cameo appearance on an MTV video.
She rolls like a sexy pinball,
then tries to claw herself out of a concave cage.
“It’s my body”, I recently heard her say
on a morning talk show. She started
by defending her nude poses in Playboy.
“It’s my body”, she repeated
like a Chatty Cathy doll
with a skipping record stuck in her back.
“It’s my body,” she began to answer
her interviewer’s every inquiry –
where she grew up, if she still went to church.
“It’s my body?”
The words stayed the same,
but as more accusations came, her inflections
changed. Jessica looked beyond the studio set
where somebody seemed to be cueing her
that message. My lover was laughing.
“How about a little conviction there, Jessica?”,
he said to the TV. Then, trying to coax
more conversation, he addressed me, “Look,
honey, she doesn’t even seem to know if it’s her body
or not.” He was right,
but he knew as he brought it up,
it was the wrong thing to say.
I’d had too much coffee.
I found myself energetically defending Jessica,
blaming her disorientation
as a response to our misogynous society-
the dislocation all women feel
from their physical selves.
And then came the theories I’d been reading.
He left for work kind of agreeing
but also complaining that I’d made him exhausted.
And now my sister is blaming me for the same thing
because I am pointing out to Katie that she is mistaken
to think only boys should get dirty
and only girls should wear earrings.
“People should be able to do whatever they want.”
I lecture her about my friend who wears a hard hat
when she goes to her job and works
with electricity, just like her daddy.
Katie fiddles with her shoelaces
and asks for juice. My sister says,
“Give the kid a break. She’s only in kindergarten.”
Older Kerri is concentrating, trying
to get a big comb for humans
through her doll’s Moussed synthetic hair.
Because untangling the snarls needs so much force,
suddenly, accidentally, Barbie’s head pops off,
and a smaller one, a faceless socket,
emerges from her neck. For an instant
we all –two sets of sisters, our ages
twenty years apart – share a small epiphany
about Mattel: this brainwashed piece of plastic cerebrum
is underneath who Barbie is. But soon
Kerri’s face is all panic, like she will be punished.
The tears begin in the corner of her eyes.
I make a fast rescue attempt,
spearing Barbie’s molded head
back on her body, her malleable features distorting
under my thumb. Although a grown doll,
the soft spot at the top of her skull
still hasn’t closed. Under the pressure
of my touch, her face is squashed, someone
posing in a fun house mirror.
But the instant I let go, she snaps back
into a polite smile, her perfect nose
erect and ready to make everything
right: Barbie is America’s –
half victim, half little pink soldier.


- Denise Duhamel, from her book, Kinky.


sábado, 28 de novembro de 2009

Chicago

Nem faz tanto frio para o final de novembro em Chicago, mas
quem não está mais acostumada sente bastante! Minha irmã me
emprestou um livro maravilhoso, "Kinky" (1997: Orchide Press) 42 poemas da poeta
norteamericana Denise Duhamel protagonizados pela boneca Barbie,
por Barbies diversas em seus diversos e irônicos encontros com a cultura norteamericana. Un dos meus preferidos até agora se intitula,
"One afternoon when Barbie wanted to join the military". Outro, "Barbie as
Religious Fanatic". Reproduzo aqui o primeiro do livro,
"Differently-able Barbie". Talvez consiga traduzi-lo...


Differently-abled Barbie

by Denise Duhamel

In Chicago a Barbie
loses her arm. Only the boy next door knows he has taken it
to use as a toothpick. A little girl
refuses to throw the Barbie away
and knots her doll's right sleeve
that hangs limp like a sail on a breeze-less day.
Another Barbie in Seattle has a run-in
with a German Shepherd
who leaves her face as scarred
as Marla Hanson´s. It would be easy
for a child to cry for another doll,
but this little girl suffers
from bouts of eczema on her forehead.
She knows that Barbie is still the same underneath.
In Baton Rouge, Barbie's hand melts into a finger-less fist,
a nob, when someone leaves her on top of a stove.
In Missoula, Montana, a baby sister cuts off most of Barbie`s hair
not realizing it won[t grow back.
Creative mothers invent slings and casts, flattering hats.
Our impulse to destroy what is whole,
to coddle and love what we have injured.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

"O Velho Jasão em San José"

Do livro de Diane Wakoski, Jason the Sailor (1993)



(Key, Key, What Bird Sings that Song
?)
(Key, Key, que pássaro canta assim?)

Lá vive ele, entre os chips de computador
e uma grande população vietnamita. Seu nome aparece
em aparelhos de som caríssimos mas eu duvido que seja
a sua
a família proprietária da empresa. Nem sei mais como se sobrevive
com cachorros azuis latindo para a lua. Eu imagino
Stone Key, onde preparam uns caranguejos deliciosos
e penso que poderia dirigir pela longa cadeia dos Keys,
conectadas por pontes que serpenteiam
que me dão alucinações, as grades irrompendo nos meus olhos,
querendo me chamar à água. Mas também me atraem
os lugares onde homens e mulheres se distorcem; como
poderia não aprender sobre imagens
no quarto escuro fotográfico de adolescência
na Califórnia?
Eu pensava que estava procurando a verdade
mas quando a encontrei eu fiquei tão horrorizada
que me encerrei neste quarto no Meio-Oeste
com muitas janelas, nenhuma cortina e sem a chave. Nenhuma
necessidade de sair de novo
para o mundo.
Eu me disfarço
reclamando da idade, ponho minha
máscara de velhinha para obter
credibilidade para minha vida neste quarto. Me protege
dos constrangimentos, as rejeições, os fracassos deludidos
dos encontros sexuais.
É esta uma face
da estória. A outra, a verdade
terrível sobre o que as mulheres perdem
com a idade, os cachorros azuis que latem
para a lua,
– a raiva de Medeia quando Jasão arruma uma jovem –
enquanto os homens continuam suas aventuras;
ele mora em São José com sua esposa
e filhos, provavelmente até netos, e continua
tendo tudo.
As constelações viram,
dois leões nascidos
com apenas umas horas de diferença,
um destino de macho, outro de fêmea.
É esta a chave? A diferença entre duas vidas
que começaram entre as laranjeiras da Califórnia,
as folhas poeirentas contra a fruta dourada.
Ele as possuía, eu as comi.
Pode esta diferença ser a chave
de tantas estórias?

Tradução: Miriam Adelman
Revisão: Sabrina Lopes.


* Na tradução, me vi obrigada a abrir mão do jogo que Wakoski faz com a palavra key – algumas vezes, “chave” (objeto concreto ou metafórico), outras vezes, em referência às pequenas ilhas próximas ao litoral do estado de Florida que levam esse nome. E também empregada de forma auto-referencial, remetendo-se assim à toda a obra da poeta, na qual chave/chaves são um elemento metafórico recorrente (Agradeço a Sabrina por sua acertada insistência neste ponto).

Dois poemas curtos do livro mais recente de Mosab Abu Toha

 Do livro  FOREST OF NOISE.                    de Mosab Abu Toha                      versões:  Miriam Adelman Aldeia Palestina. Na colina d...