segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Perhaps

unexpected affection
at the end of springtime ?

  or perhaps just more of the same old tricks:
     hands, elbows, shoulders touching,
                  flight.

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

It Takes Two to Tango (versão em português)

Escrito uns anos atrás, em inglês, com versão original aqui neste blog (2011), 
me motivei a fazer a tradução para poder compartilhá-lo com o grupo que se
reúne em Curitiba, na Livraria Poetria... e com quem mais o quiser ler:

It Takes Two to Tango

Avenida 18 de julio
y suave la entrada del invierno
en Montevideo
assumimos a noite
você com os cigarros um trás outro
infiltrando o ar noturno e fresco,
eu, desabotoando meu casaco de lã cinza
no calor inesperado da estação
e ao redor de nós, a praça, os casais

se deslizando tão suavemente
aos acordes largos, doces
uma perfeita sincronia
carregada no ritmo tenro da noite
enquanto a dança durar...

Teimosa garota, menino maluco.
Pode ser que cada um encontre seu ritmo
ou seu tempo – samba ou salsa,
valsa ou rock n' roll.
Creio que eu se pudesse dominar os movimentos
escolheria forró- que como
 o tango precisa dançar-se em duplas
porém é mais rápido e te faz dar risada
no hora que perder o passo ou quando o baile
terminar

mas esta noite em Montevideo
a música que flutua ao redor de nós
tem um gosto de tragédia
e nos dizem, esta é uma cidade
de velhos, e um avô
puxa sua pequena neta pela mão
muito suavemente
e ela (como eu) não consegue
dominar o ritmo, os passos
enquanto o tempo se derrama sobre nós
como se a fórmula fosse essa – a vida
se desdobrando sempre em pares, uma
linguagem de cumplicidade ou duplicidade
na qual eu sou apenas
falsamente
fluente


o que te pega mais?
o trágico ou o cômico,
juntos ou separados?
aqui a dança termina cedo
mas tem ainda a Malena, cantando
enquanto a noite adentrar nesta
cidade dos velhos.

Escolha minha talvez fossem
as pampas,
cavaleira solitária sob a cúpula da lua
ou em movimento com as multidões
ou apenas uma a mais
na manada galopante
onde se perder o ritmo
ou a sincronia, ou simplesmente
não entregar a mercadoria
ninguém vai perceber:
nenhum duelo cruel,
nenhum lado da cama
ou do guarda-roupa vazio
e podemos apenas continuar
nossas vidas, sob as estrelas
deste planeta de bilhões.


   - Miriam Adelman 

sábado, 16 de novembro de 2013

Second degree burn (work-in-progress)



Though it’s three in the morning, the nurse
In the burn ward is cheery, barely
scolds me  for waiting too long at home 
for the pain to subside, hours with
fingers submerged, messy layers of epidermis and blisters,
and heat going on and on. Lucky, she says,  steam doesn’t
burn like fire.  It climbs away quickly, merging
with its originary air, so fleeting that you
will soon forget, let go of misfortune, get on
      with things of day and life, step out boldy and barefoot again
onto the summer asphalt, stop wallowing
 in your misery.

-           Miriam Adelman



sábado, 12 de outubro de 2013

Terra Adentro



Terra Adentro

Tinha chovido.
A terra roxa coberta por uma camada
de barro escorregadio, e em todas as direções,
o horizonte impossível.  Lado a lado,
o animal e o humano, um menino
que aninha  a irmazinha e uma mulher
que põe as mãos à tarefa:   a lenta reconstrução
da cidade onde tudo começou.
Parei já de procurar a primavera.
Dias mais estranhos da minha vida.

    -  Miriam Adelman



sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Retomando os poemas de Denise Duhamel



BARBIE COMO MAFIOSA

                                     Para Dangerous Diane

Quando lhe repassam o saquinho de cocaína,
Barbie foge para seu beco preferido.
Ela tira sua cabeça e se preenche com o pó
Como se fosse tão inocente quanto um saleiro de curvas gostosas.
Os malandros deixam o tráfico de pequenas coisas para ela-
e enquanto ela desliza pelos aeroportos internacionais
ou os agitados cais dos portos, ninguém lá em cima
se enerva. Seja aninhada entre o receptor
e a base do telefone de um automóvel, ou guardadinha
na gaveta de uma cômoda com um pequeno gravador no
seu torso oco, Barbie ama o divertimento e o tesão da aventura.
Mas por ser uma boneca muito séria, ela também sabe dar o beijo
da morte se precisar.  Seus ousados lábios
se recusam a abrir, tornando-a a mais perfeita guardadora de segredos.
Nas conferências de imprensa, ela negará todas as afiliações.
Só estou brincando, dirá ela, ou
Vocês não conseguem provar nada.  Mal tenho cérebro.
Quando a Barbie fica assim tão na cara, por vezes
o poderoso chefão passa apertos. Sua mulher fica com ciúmes,
se perguntando porque a Barbie liga para o marido não-boneco de outra
de cabines telefônicas no meio da noite.
Os detalhes das senhas, dos sapatos de cimento e das propostas irrecusáveis,
todos precisam ser bem pensados. O chefão
vai acalmar sua esposa, argumentando que é só ela
que ele ama:  esta Barbie nem sequer é uma dama de verdade.
Não sei porque você se preocupa.
A esposa admite que se sente tola, mas ao voltar
para a cama fica de olho aberto. Os policiais
se sentem tolos também, prendendo brinquedos.
Por isso a Barbie anda por onde ela quiser tendo a audácia
de deixar seus óculos escuros em casa.   Ela freqüenta
clubes privados enfumaçados e senta à janela nas mesas
dos cafés de Little Italy.  Mas são as praias dos resorts
que ela mais gosta,  onde pode realmente espairecer
e ser ela mesma. Sua pequena caixa de isopor  segura o cantinho
da sua toalha de praia de marca. Ela observa seu namorado loiro
Malibu Ken, mexendo com seus pé-de-pato e óculos.
Ela o ama porque ele não sabe de nada –
mera peça acessória para seus crimes.

- Denise Duhamel.     
Do livro Kinky                                

-          Versão:  Miriam Adelman
-          Revisão: Keo Cavalcanti

Dois poemas curtos do livro mais recente de Mosab Abu Toha

 Do livro  FOREST OF NOISE.                    de Mosab Abu Toha                      versões:  Miriam Adelman Aldeia Palestina. Na colina d...