quinta-feira, 17 de março de 2022

Barbie on the Creation of Ken/ Barbie Fala sobre a Criação do Ken

 

 


 

 Poem  by STEPHEN ZERANCE.


Back from the war in my revenge

dress, I’ve come to kill love. Alexa—

 

bring me the axe. I’ll carve the idealized man

out of living stone: chemically happy, dumb

 

as hair. A man in motion

is most important. To the femur—

 

make it long so he’ll walk right

out my life. Give the arms strength

 

to beat me black & blue. I’ll make a fast

machine so I don’t have to compete with anyone

 

but myself. There should be no voice box—

the inner world only teeth shattering dreams.

 

I’ll fasten eyes to get lost in,

to crawl inside.   The pull of his lower nerve

 

will stop time. It is here

the true site of human bloom.

 

Alexa—turn on the gas.

Alexa—strike the match. Behold:

 

the temple in man. I walk home

through his hypostyle halls. I touch his skin.

 

I see wonderful things.

I see the end of the world.

 

 

De volta da guerra nos meus vestes

de vingança, venho para matar o amor.  Alexa -

 

me traga o machado. Vou esculpir de pedra viva

o homem idealizado: quimicamente feliz, estúpido

 

como cabelo.  Um homem em movimento

isso é o mais importante. O fêmur –

 

faça-o muito longo para que vá embora

da minha vida.  Dê aos braços a força

 

para me espancar até ficar toda roxa. Farei uma máquina

veloz para não ter que competir com ninguém

 

além de mim mesma.  Não deverá haver caixa de voz –

o mundo interior é apenas sonhos que estilhaçam os dentes.

 

Vou lhe colocar olhos para perder-se,

para  arrastar-se dentro. O puxão do seu nervo inferior

 

fará o tempo parar. Eis aqui

o verdadeiro lugar do desabrochar humano.

 

Alexa – ligue o gás.

Alexa - incenda o fósforo.  Contemple:

 

o templo no homem.  Volto para casa

através de seus corredores hipostilos. Toco na sua pele.

 

Vejo  coisas incríveis.

Vejo o fim do mundo.

 

 

Versão:  Miriam Adelman

terça-feira, 15 de fevereiro de 2022

Late poems/ Poemas tardios - Margaret Atwood

 


These are late poems.

Most poems are  late

of course: too late

like a letter sent by a sailor

that arrives after he’s drowned

 

Too late to be of help, such letters,

and late poems are similar.

They arrive as if through water.

 

Whatever it was has happened:

the battle, the sunny day, the moonlit

slipping into lust, the farewell kiss.  The poem

washes ashore like flotsam.

 

Or late, as in late for supper:

all the words cold or eaten.

Scoundrel, plight and vanquished,

or linger, bide, awhile,

forsaken, wept, forlorn.

Love and joy, even:  thrice-gnawed songs.

Rusted spells. Worn choruses.

 

It’s late, it´s very late;

too late for dancing.

Still, sing what you can.

Turn up the light:  sing on,

Sing:  On.

 

Estes são poemas tardios.

Quase todos os poemas chegam tarde

é  claro:  tarde demais

como cartas enviadas por um marinheiro

que chegam após seu afogamento

 

Tarde demais para nos ajudar, essas cartas

e os poemas tardios são parecidos.

Chegam como se através da água.

 

O que aconteceu já era:

a batalha,  o dia ensolarado, o luar

que se transforma em lascívia, o beijo

de despedida.  O poema

encalha na praia como destroços.

 

Ou tarde, como perder o jantar:

todas as palavras já frias ou consumidas.

Canalha, desgraça, vencido

ou permanecer, aguardar, mais um tempinho,

abandonado, chorado, desolado.

Amor e alegria, ainda:  palavras triplamente roídas.

Feitiços enferrujados.  Coros gastos.

 

É tarde, muito tarde;

tarde demais para dançar.

Mas, cante o que você puder.

Aumente a luz:  vá, cante.

Cante:  Vá.


Versão:  Miriam Adelman

Grata ao amigo Benedito Costa pelas sugestões!!!

sábado, 29 de janeiro de 2022

Uma colagem, e repostagem do poema que a inspirou.


 


Fábula III, ou “as formas da coragem”.

 

                    Para Joyce, Hettie e Diane.  E para Andressa tb.

 

Era apenas uma menina

e o mundo, um lugar lotado

de criaturas com sonhos baratos.

Pegava todos os dias, de manhã

o bonde que descia a ladeira,

seu coração dando saltos no ponto

     onde a curva sugeria uma fuga

onde a mão do condutor podia

vacilar por um instante e perder

o rumo.

 

Noitezinha, na hora da sopa

a mãe chamava

para ela colocar na mesa

os pratos azuis, os guardanapos de pano

amarelados, as grandes colheres,

e ela obedecia,

mansinha, as unhas de esmalte

     de uma semana

guardando seu segredo escarlate.

 

Quando lá fora chovia, como de

   costume, gotas misturando-se com

poeira e através da janela suja 

todas as formas

   alongavam-se, encurtavam-se,

 ela via figuras

dançando na água ou nas chamas

da noite e sabia que

em algum lugar o caminho bifurcava

e seria só o rumo que ela conseguisse

vislumbrar quando todo mundo parasse

de lhe falar, de lhe indicar com

as mãos ou apontar com os dedos

o enferrujado dever, ou quando ela

não mais escutasse.

 

Os meninos pulavam

os vagões do trem ou as

ondas mais altas, e o tempo todo ela

pensava que isso não era para ela

porque não era longe o suficiente

ou  talvez porque ser

   apenas uma triste

                fêmea da espécie

não lhe permitisse um lugar

entre os que desafiavam

os mares, a Bruxa de Novembro

ou o Chinook.  Enquanto isso

os garotos saiam e voltavam à casa.

Ela ouvia suas histórias e percebia

como esticavam suas meia-verdades

sobre a bruma, as baleias, os

adversários com suas espadas,

ou as armas comuns do bandido

         da esquina.

Dançava sozinha frente ao espelho,

  diante de escuros olhos ciganos,

examinando a curva dos seus braços,

o quadril que se alargava,  os

pequenos seios que endureciam sob

   um fino tecido, as pernas que embora

curtas pudessem carregá-la muitas milhas.

Sentia então um estranho tipo

       de medo-coragem

que lhe dizia coisas inteligíveis:

que poderia dormir ao relento,

 construir um provisório

abrigo, aprender as línguas de

humanos e tigres, ser nômade

como qualquer uma

ou como nenhum outro.

 

And then she went...

 

 

 

 -   Miriam Adelman

 


quarta-feira, 30 de junho de 2021

Pequenos poema-exercícios para as amigas fotógrafas

 


 


botas e barreiras

máscaras uniformadas

quem é de outro mundo

quem é do passado

mundo incendiado

não

    haverá

             nunca

um normal

estamos nas ruínas

corpos

militares

bandeiras

holocaustos

emergências sem fim

a volta dos sonâmbulos

       socorro!

inundações

gelos

  e

multidões

mãos e dispositivos

fome

floresta

o torvelinho tecnológico

tudo já foi consumido

tudo nos consome


*******

pés ao sol

costas contra o céu

uma mulher

          na água

             no espelho

                na tarde

de outras mãos

mais água

mãos que fecham

  os olhos

o dia acaba

e nasce 

         floresce




sabrina:

 

ela

tem lente

ela

tem olhos

ela

tem mãos

ela

  capta

toda a tristeza

   do mundo

e faz brotar

  um rio

uma semente

 


michelle:

 

ela navega os mares

viaja para o umbigo do mundo

 e volta

ela reconstrói os barcos

 que as ondas

e o vento

jogaram contra as rochas

ela vê as cobras que andam nas rochas

 as medusas     ela

escuta as sereias

não precisa ter medo

medo ela não tem

o medo que a outros e outras

   retém

ela peita

sem perder a ternura

    jamais.

 



fernanda:

 

ela sabe o segredo:

o mundo não é generoso

com as que pensam

       enfrentam

   não abaixam o olhar

quantos anos leva

   construir

das muitas sabedorias

   uma ponte?

tem para isso uma

   lente, duas mãos, ou

quatro?  ela aprende

      com a vida

é isso  chama-se

   coragem

 

 

lupe:

 

ela anda

   pelos corredores

de uma casa finita

ela sai

   pro mundo

ela carrega

   o peso

do mundo

  nas suas costas

ela molda

  o mundo

com as mãos

com os filhos que

 grudam nela

 com a simples  e repetida palavra

      “mãe”

ela abre as mãos para a chuva

colhe as águas  

nos abre os olhos

 




 

 


segunda-feira, 28 de junho de 2021

Noi non andiamo mai al cinema (poesia per l'era della pandemia)

 Estou estudando italiano, lendo mestrxs como Pavese e Cavalli.  Que tanto inspiram, que ousei brincar com  'una mia creazione'... (se alguém tem sugestão ou correção, é só falar!)


Noi non andiamo mai al cinema

Nè al parco con i nostri cani

Nè in piazza a guardare i giovani

        e le giovane

Con i loro skateboard e le loro chiacchiere inutili.

  `E  la vita che vuole passarci accanto

E ci spettegola  ci parla che è solo una pandemia piccola

    o temporanea

Un fugace momento in cui abbiamo perso la ruota

O un ciclo della natura que vuole vendicarsi

A causa della nostra stupidità

A causa della nostra testardaggine

    O perché abbiamo dimenticato

           come sopravvivere al freddo –

 

Dicono que passerà, tutto finito

E che tutto tornerà come  prima

Uomini che vanno e vengono

Le donne diventano impazienti

      si irritano al morso

Perché il mondo doveva già essere cambiato

 

Dicono mille cose perché tutti giorni

Qualcuno torna da una guerra

Con una gamba sola e zoppicante

E qualcun altro,

Dal giorno o dalla notte

      più felice della sua vita

 

Dicono mile cose perché finalmente

é facile parlare o scrivere

      qualsiasi stronzata

 Gli umani vanno avanti cosí -

     come se fossero bravi

     come se mangiassero

     semplicemente il pane mattutino -

Mostrano la faccia e le carte

   più mostruose

La cieca immediatezza

La cartografia più miope

Mentre le barche e gli aeri affondano

     in alto mare

o nel porto più vicino.






 

 

 

 

 

 

Dois poemas curtos do livro mais recente de Mosab Abu Toha

 Do livro  FOREST OF NOISE.                    de Mosab Abu Toha                      versões:  Miriam Adelman Aldeia Palestina. Na colina d...