("bringing words together") poesia, crônica, fotografia, tradução//poetry, stories, photography, translation ///// /// ©miriamadelman2020 Unauthorized reproduction of material from this blog is expressly prohibited
sexta-feira, 1 de novembro de 2019
Que tempos são estes/What kind of times are these/ Adrienne Rich
quarta-feira, 5 de junho de 2019
(not) keeping it simple
feeling something new in
our bones, something expectant
like the lives of the young. but
not yet lost.
terça-feira, 4 de junho de 2019
Amor Fati /Jane Hirshfield
Pequena alma,
vc perambula sem rumo
há muito tempo.
Já anoiteceu
na floresta,
há pássaros, há olhos.
E logo, uma luz, uma cabana, uma fogueira, uma porta que está aberta.
Os contos de fadas dão advertência:
Não entre,
Quem quis se alimentar, será alimento.
Vc entra. Vc se apressa.
Vc deseja ter pés.
Vc deseja ter olhos.
Vc deseja ter medos.
Tradução: Miriam Adelman
sexta-feira, 22 de março de 2019
red elephants
terça-feira, 5 de março de 2019
Novato que precisa de maior indagação sobre a subjugação anglicana serafina de uma Reserva Indígena Selvagem
traduzido por mim (e desculpem porque aqui aparece para vcs
desformatado... espero logo publicar em outro lugar tudo direitinho!!)
Anjos não visitam a reserva.
Morcegos, talvez, ou corujas, coisinhas quadradas e manchadas.
Coiotes, também. Todos querem dizer o mesmo -
morte. E a morte come os anjos, eu suponho, porque nunca vi um anjo
sobrevoar este vale.
Gabriel? Nunca ouvi falar dele. Embora conheça um cara chamado Gabe -
ele passou por aqui num powwow e acabou ficando, típica
coisa
de índio. Claro que tinha asas, como todos os que voam
de cárcere em cárcere. Ele voa em carros roubados. E onde quer
que ele pare, crianças crescem como abóboras nas barrigas de mulheres.
Como já disse, índio nenhum, que eu saiba, fosse ou visse alguma vez um anjo.
Talvez numa peça de Natal ou algo parecido -
a igreja Nazarena faz uma todo dezembro
organizada pela esposa do Pastor John. Surpresa nenhuma
que o filho do Pastor John faça o papel do anjo - todos sabem que anjos são
brancos.
Pare de se incomodar com os anjos, digo eu. Não fazem bem para os índios.
Se lembra da última vez que um deus branco veio boiando através do oceano?
Verdade é, talvez haja anjos, mas se os há, lá em cimão,
vivendo nas nuvens ou sentados em tronos do outro lado do mar
vestindo roupões de veludo e anéis de ouro, bebendo uísque de xícaras de prata,
é melhor para nós que lá permaneçam, ricos e gordos e feios e
exatamente onde se encontram - em seus próprios e distantes céus.
Você deve torcer para não ver anjos na rez. Porque se os vê, é
porque estão
te embalando para a marcha,
para Zion, Oklahoma, ou qualquer outro inferno inventado
especificamente para nós.
* https://www.poetryfoundation.org/poems/56353/abecedarian-requiring-further-examination-of-anglikan-seraphym-subjugation-of-a-wild-indian-rezervation
quarta-feira, 2 de janeiro de 2019
Sign Language Barbie
Sign language Barbie.
Barbie
floats center stage in her pink dress, her paper-faced
husband forcing a smile. He
is struggling to remember
the gist of
the speech she 'll deliver.
Barbie twists her mouth
in a momentary grimace, not wanting to come off too self-assured,
the lights that will halo her, the clumsy demeanor of her
husband, so purple and smothered in his raincloud of fibs. But
then she's reminded of duty, how she signs to those who can't
hear, of the image to recover and the peanut -crunching crowd.
The irresistible charm of the charitable, like those English ladies in a film
she once saw, so polished in gentle arts of distraction, so promptly disguising
their scorn for the handmaids. The generals all rode horses back then,
raised their spectacles to read maps, wrote home to women in long dresses and
white gloves. She has never read a British novel, not even
a book of etiquette
but swears
she has mastered it all by intuition, and the frequent trips to her top-notch
stylist. In this brave new world, Mattel now offers plastic
sheep and pastures,
a Cyclops to conquer and even Rambo Ken
who can morph into a real man, ready to pull
his gun at the
first traffic fight. Yet this Barbie has issues: how to manage the multiple
movements of
wrists and fingers, make hands that
sweep softly up and down in
gestures not
too robotic. Mattel calls its engineer army into action, hoping this Barbie
can bring some good sales to a falling market, one where girls are always wanting more
out of life. After all, is she not an embodied saviour, poised to return to the unborn their value,
some quiet to the streets, and a choir of angels to home and hearth?
terça-feira, 4 de dezembro de 2018
a viajante ( work in progress)
as viajantes - de palavra e ato - que iluminam
nossos dias e noites de leitura )
a manhã da viajante
acordei, o sol brilhando como nunca.
segundo dia
quem já ouviu a fúria do vento nas velas
nunca esquece. entala no peito, enrosca nos cabelos,
ocupa a memoria. porém, para o navegante
experiente, é outra a historia: o mastro feito a mãos de
mestre resiste sempre à direção do vento, a traição
mais simples e mais certeira.
terceiro dia
era hora de desembarcar.
chuva e cheiro de outono. andar
descalça nas pedras da praia
e subir o morro que conduz à cidade.
senti a lama espalhar-se, as folhas
molhadas entre os dedos dos pés.
tentei pinta-las: o alaranjado intenso,
o formato preciso, como pequenas
mãos úmidas marcando caminho.
o gesto condescendente me segurou
por uns instantes, mas continuei
como sempre. é só se concentrar,
o trilho reaparece
quarto dia
era dia de feira. o sol que se
escondia voltou a esbanjar o povoado,
a colorir os mantos e a aquecer mais
esse vinho que se servia quente. me
ofereceram colares e brincos, e as
castanhas assadas que pude
aceitar, um par de olhos escuros me
indagando, "e você, quem é? "
ser forasteira pode sempre
ser bom, um enigma que
se preserva.
quinto dia.
sexto dia
à luz de uma lua antiga
e do óleo que ainda queima na
lanterna de bronze, arde em
mim o receio de prosseguir,
rumo mais uma vez ao sul.
a cabina da travessia cheira
a sal, a peixe. eu que começava
a amar demais a terra chovida,
os confiáveis jegues que levam
a lenha no lombo. não ha
nada mais escuro que a noite
no mar. o habitat suspenso.
os continentes perdendo seus traços
no horizonte
sétimo dia
a carta que escrevo
apenas reinventa. não
posso te contar o
primeiro sonho, ou como
enquanto o óleo secava,
sentia a febre subir. esses
olhos que me miravam
não eram os teus. me
prometiam desvendar
o labirinto do mapa.
caminhávamos lentamente
zelando pelo água, os
alimentos escassos. meus
passos não eram mais
de mulher, senão de
elefante, fêmea. ou de
tigre. íamos ao encontro
do que seria apenas
luz. apenas som.
apenas pele. sem
argumento algum.
apenas - e entre os
silêncios - o sim.
oitavo dia
hoje me descubro
membro de uma tribo antiga.
a história me escuta, e eu a ela.
partiram-se já meus navegantes
do Mar Vermelho, e as rústicas
cavaleiras das montanhas do Altai
mas juntos, somos. me delicio
na sensação dos pés descalços
sobre velhos minerais, grama, e o
pedregoso caminho do templo.
quis que me contasse as lendas
do teu povo. tento acoplar
meus passos aos teus. e nada adianta.
deve ser o sangue herdado das bruxas,
me criou impulso, me criou
estrada. apesar das pernas curtas
ou o cheiro de fêmea,ou os
lastros dos partos. não entendo
o que os deuses tanto falam
para os fieis. ou para seus pacientes
intérpretes. prefiro é viver
a passagem da escuridão ao
lado dos bichos, os camelos que
mastigam a noite toda, cabras,
bezerros. e você lá no meio
dos homens, horas de xadrez,
baralho, os copos do arak. o
sol nos aguarda em portos
diferentes.
Dois poemas curtos do livro mais recente de Mosab Abu Toha
Do livro FOREST OF NOISE. de Mosab Abu Toha versões: Miriam Adelman Aldeia Palestina. Na colina d...
-
Global Woman: Nannies, Maids and Sex Workers in the New Economy. Barbara Ehrenreich and Arlie Russell Hochschild, editors. New York: Metrop...
-
Do livro FOREST OF NOISE. de Mosab Abu Toha versões: Miriam Adelman Aldeia Palestina. Na colina d...
-
Você não veio ao mundo para ver os seus ossos embranquecerem nas águas brancas de um rio Bou-reg-reg nem para contemplar a sua som...