Mostrando postagens com marcador escritoras. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador escritoras. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 30 de julho de 2020

History Lesson /Lição de História - Natasha Tretheway

 

I am four in this photograph, standing   

on a wide strip of Mississippi beach,   

my hands on the flowered hips

 

of a bright bikini. My toes dig in,   

curl around wet sand. The sun cuts   

the rippling Gulf in flashes with each   

 

tidal rush. Minnows dart at my feet

glinting like switchblades. I am alone

except for my grandmother, other side   

 

of the camera, telling me how to pose.   

It is 1970, two years after they opened   

the rest of this beach to us,   

 

forty years since the photograph   

where she stood on a narrow plot   

of sand marked 

 

her hands on the flowered hips   

of a cotton meal-sack dress.

 


Estou com quatro anos nesta fotografia,

de pé numa larga faixa de praia em Mississippi

minhas mãos nos quadris  floreados

 

de um bikini colorido. Os dedos do pé

cavam, enrolam-se na areia molhada. O sol corta o Golfo

ondulado,  lampejos a cada

 

investida do maré.  Peixinhos lançam-se contra

meus pés, brilham como canivetes. Estou sozinha

exceto minha vó, do outro lado

 

da câmera, me dizendo como posar.

É o ano 1970, dois anos depois deles

abrirem o resto da praia para nós,

 

quarenta anos depois da foto

onde ela estava  de pé numa estreita

faixa de areia marcada, ‘colored’, sorrindo

 

com as mãos nos quadris coloridos

de um vestido de saco de algodão.

terça-feira, 5 de março de 2019

Novato que precisa de maior indagação sobre a subjugação anglicana serafina de uma Reserva Indígena Selvagem

 poema de Natalie Diaz*
 traduzido por mim (e desculpem porque aqui aparece para vcs
desformatado... espero logo publicar em outro lugar tudo direitinho!!)


Anjos não visitam a reserva.
Morcegos, talvez, ou corujas, coisinhas quadradas e manchadas.
Coiotes, também.  Todos querem dizer o mesmo -
morte.  E a morte 
come os anjos, eu suponho, porque nunca vi um anjo

sobrevoar este vale.

Gabriel? Nunca ouvi falar dele. Embora conheça um cara chamado Gabe -
ele passou por aqui num powwow e acabou ficando, típica coisa
de índio.  Claro que tinha asas, como todos os que voam
de cárcere em cárcere. Ele voa em carros roubados. E onde quer
que ele pare, crianças crescem como abóboras nas barrigas de mulheres.
Como já disse, índio nenhum, que eu saiba, fosse ou visse alguma vez um anjo.
Talvez numa peça de Natal ou algo parecido -
a igreja Nazarena faz uma todo dezembro
organizada pela esposa do Pastor John. Surpresa nenhuma
que o filho do Pastor John faça o papel do anjo - todos sabem que anjos são brancos.
Pare de se incomodar com os anjos, digo eu. Não fazem bem para os índios.
Se lembra da última vez que um deus branco veio 
boiando através do oceano?

Verdade é, talvez haja anjos, mas se os há, lá em cimão,

vivendo nas nuvens ou sentados em tronos do outro lado do mar

vestindo roupões de veludo e anéis de ouro, bebendo uísque de xícaras de prata,
é melhor para nós que lá permaneçam, ricos e gordos e feios e
exatamente onde se encontram -  em seus próprios e distantes céus.
Você deve torcer para não ver anjos na rez. Porque se os vê, é porque estão
       te embalando para a marcha,

para Zion, Oklahoma, ou qualquer outro inferno inventado

          especificamente para nós.



*  https://www.poetryfoundation.org/poems/56353/abecedarian-requiring-further-examination-of-anglikan-seraphym-subjugation-of-a-wild-indian-rezervation



quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

From Assia Djebar, "Fantasia: an Algerian cavalcade".



"When I am growing up, shortly before my native land throws off the colonial yoke - while the man still has the right to four legitimate wives, we girls, big and little, have at our command four languages to express desire before all that is left to us is sighs and moans:  French for secret missives; Arabic for our stifled aspirations toward God-the-father, the God of the religions of the Book; Lybico-Berber which takes us back to the pagan idols - mother-gods - of pre-Islamic  Mecca.  The fourth language, for all females,  young or old, cloistered or half-emancipated, remains that of the body;  the body which male neighbors' and cousins' eyes require to be deaf and blind, since they cannot completely incarcerate it; the body which, in trances, dances or vociferations, in fits of hope or despair, rebels, and unable to read or write, seeks some unknown shore as destination for its message of love".



"

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

The ruses - a coyote tale/Diane di Prima



 From her book, Loba (Penguin, 1973)

The ruses – a coyote tale   

        Diane di Prima

Sometimes you take up with the trap  &
run with the metal between yr teeth,
  At times it is better to chew off
your leg.
  You have in this case to consider
the trail of blood. 
Sometimes for weeks it is better
not to eat, the meat is poisoned, but
you wait it out,
   knowing the creatures are not
 consistent,  they forget. Or they will
move on.  It is hard to explain this
to the cubs.
    You keep downwind, stick to
the water; journey in the thick mist
or at the dark of the moon.

There come the safe times when
we congregate in the snow,
  under large barren trees & each
 of us is a flame.
   an offering to the moon.
  At such times it is unnecessary
to sing.

Os ardís – relato da coiota.

(do livro Loba)

   

Algumas vezes você foge com toda e armadilha &/
corre com o metal entre os dentes,
   Outras vezes é melhor sacrificar
a perna.
  Neste caso você terá que considerar
as pistas do sangue
Por vezes é melhor
passar fome,  a carne está envenenada.
você precisa ter paciência,
   sabendo que as criaturas são
 inconsistentes, elas esquecem. Ou irão
       embora. Difícil é
explicar isto aos filhotes.
   Você caminha junto ao vento, perto
d’água; viaja na neblina espessa
ou no escuro da lua.

Aproximam-se também os tempos seguros de
nos juntarmos na neve, embaixo
das árvores sem folhas onde 
 cada um é flama.
Oferenda para a lua.
  Em tempos como esses é desnecessário
cantar.
 


 Tradução:  Miriam Adelman


Dois poemas curtos do livro mais recente de Mosab Abu Toha

 Do livro  FOREST OF NOISE.                    de Mosab Abu Toha                      versões:  Miriam Adelman Aldeia Palestina. Na colina d...