segunda-feira, 31 de maio de 2010

a new one of mine...

Half truth

Winter upon us. Yet
He returns from his month
in a hut, from his African mistress
whose fan breathes its breathless
artifice of wind along the milky whiteness
of his sleep, into
the dark-curtained rooms of a
Spanish lover.
Soon he will be off again, this time toward
east-lying plains
Where his girls will folk-dance him into the night
And offer him red wine, sausages, morning rides
Into the hills.
Daddy still pays for his plane tickets.
Women still believe his stories.
History proceeds at a breakneck pace
Yet sometimes so little changes:
Our foolishness, our deep-churning need
For the tiniest element, the smallest blue flame
sheltered for a second from the wind.

sábado, 22 de maio de 2010

Versão...

Gente, aí vai, já incorporando algumas sugestões do amigo
Marcelo Toffoli...

CASAMENTO

- Denise Duhamel (do livro Kinky)

Barbie imagina se seria traição
sonhar com namorados, bonecos que
Mattel nunca fabricou para suas brincadeiras.
Um com dreads rastafári feitos de pelúcia
Em lugar de duros arcos de plástico,
Outro gordinho, meio calvo
Com óculos de John Lennon
E um terceiro com um nariz grande e sexy
como Gerard Depardieu.
Porém, supõe ela, seu Ken é mesmo inofensivo
Peitoral todo sarado afastado por rígidos seios
que não cedem ao toque
e ele não pode lhe obrigar à nada
quando ela não está
com vontade.
Ela se lembra das últimas palavras
da descontinuada boneca Midge,
“Hey Barbie, não complique,
É um casamento, não é?”
Desde o outro lado do corredor
Entre o monte de brinquedos pra menino
O Soldado Joe de vez em quando olha pra ela
Mas não faz exatamente seu tipo.
Ela na sua caixa, com elásticos que prendem
Seus braços.
A capa de plástico distorce sua visão
Do mundo.
Não é só aventura romântica o que ela deseja::
Há passeios de balão,
Aulas no curso noturno, trabalho de caridade.
Barbie se consola, reconhecendo que não é
Muito diferente do resto de nós, de como jogamos:
Entre gratidão e ambição,
Passividade e culpa.





versão: Miriam Adelman.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Promessas...

Gente, passou voando um mês inteirinho, sem nenhuma postagem nova!
Continua sendo minha intenção escrever a segunda parte do ensaio dedicado a Fatima
Mernissi, e muitas outras coisas. Mas o semestre está num momento crítico, ando
sem tempo para vários projetos, e ainda escrevendo palestras de última hora, para "atender a demanda"... Em todo caso, consegui escolher mais um poema de
Denise Duhamel para traduzir, e reproduzo aqui a versão original, prometendo ter
uma versão preliminar em português, se for possível, antes do final do mês.

MARRIAGE


Barbie wonders if it’s cheating
when she dreams of fashion doll boyfriends
Mattel never made for her to play with.
One with Rastafarian dreadlocks –
spun with fuzz, not stiff
like the arcs of a plastic Jello mold.
Another chubby and balding
with John Lennon glasses.
And a third with a big sexy nose
like Gerard Depardieu.
Still, she supposes, Ken is harmless enough.
His pecs kept at bay by her stiff unyielding breasts.
And there is nothing he can force on her
When she’s not in the mood.
She remembers discontinued Midge’s last words:
“Hey Barbie, it’s a marriage, don’t knock it.”
From the stack of boy’s toys across the aisle,
GI Joe occasionally gives Barbie the eye,
though he’s not exactly what she has in mind.
In her box, elastic bands hold back her arms
And the plastic overlay she peers through
distorts her view of the world.
It’s not only a romantic fling she desires:
there are hot air balloon rides,
night school classes, charity work.
Barbie comforts herself
knowing she’s not much different
from the rest of us, juggling gratitude,
ambition, passivity and guilt.


- Denise Duhamel