terça-feira, 30 de julho de 2013

Wild Geese by Mary Oliver + versão



WILD GEESE by Mary Oliver.

You do not have to be good.
You do not have to walk on your knees
for a hundred miles through the desert repenting.
You only have to let the soft animal of your body
love what it loves.
Tell me about despair, yours, and I will tell you mine.
Meanwhile the world goes on.
Meanwhile the sun and the clear pebbles of the rain
are moving across the landscapes,
over the prairies and the deep trees,
the mountains and the rivers.
Meanwhile the wild geese, high in the clean blue air,
are heading home again.
Whoever you are, no matter how lonely,
the world offers itself to your imagination,
calls to you like the wild geese, harsh and exciting-
over and over announcing your place
In the family of things. 


Gansos selvagens.

Não precisa ser bonzinho.
Nem andar cem milhas no
 deserto de joelho, pedindo penitência.
Você só precisa deixar que o animal macio
que habita seu corpo ame aquilo que ama.
Me conte do desespero, o seu, e eu lhe contarei
do meu.
Enquanto isso, o mundo gira.
Enquanto isso, o sol e as pedras claras da chuva
se movem através das paisagens,
sobre os prados e as árvores profundas,
as montanhas e os rios.
Enquanto isso, os gansos selvagens, voando
nas alturas do límpido ar azul
estão voltando para casa.
Quem seja que você for, quão grande sua solidão
o mundo está ali para sua imaginação,
lhe chamando como o fazem os gansos
selvagens, tão duro quanto
excitante-  anunciando, uma e outra
vez, o seu lugar na família das coisas.
Versão: Miriam Adelman

domingo, 28 de julho de 2013

Quando chegar a primavera

(Eu, tentando dialogar com Germaine Calderón... e até saiu em português!)



Quando chegar a primavera
não irei me surpreender
com o sol repentino
ou  tua mão fria
posando na minha nuca.
Nas estradas que um dia
amanheceram brancas
haverá apenas a esperança
    sutil
de um calor que dure mais um pouco
de cores pequenas que despontem
do jasmim ou dos juncos que crescerão
na terra molhada,
e eu terei mudado em alguma coisa
desde o lugar onde hibernei
com meus ursos mansos
no oco de uma árvore esculpida
pelas décadas, saboreando apenas
amoras doces e cenas da  vida,
e se por acaso houver alguma
    aprendizagem,
será apenas das mais simples, com
as patas no barro escuro e fresco,
sabendo das chuvas e dos caminhos
enganosamente infinitos.

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Germaine Calderón, poeta mexicana.

Many years ago I found this poem, by Germaine Calderón, in a Mexico City newspaper.
Although I posted it here on my blog in 2009, it took me a long time to try to translate it into
English.  Let's see how this works!

Ya no soy un caballo
    Germaine Calderón

Hay signos
desesperanzas en duelo
algunos vagabundos
en crecimiento con la noche
con el olor del mundo
muchachos
como pájaros tímidos

Los montes marineros azules
nosotros silenciosos
buscando algún rellano
un pueblo más que este
insignificante en tres patas
una sombra del tamaño del agua
y un vino incesante
a la hora de la memoria
para caer tumbados en las lindes
donde se rie
com una extraña mueca
por nuestra desnudez obcena

Hoy he volteado
mi sueño como un guante
yo mismo
me he puesto a secar por el reverso
y el corazón se extraña
de su doblez
de su flanco
de su tamaño inminente
y yo me extraño
de ser tan parecido
a un hombre
Siempre pensé que era un caballo
las gentes me llamaban por mi nombre
y yo acudia
con un instinto manso

Amaba la corteza llovida
el grano tierno como dádiva
y creia
en los músculos simples
en la rapidez del aire
en la oración impaciente
desbocada

Entonces
los árboles
semejaban guerreros
lo verde venia de las raíces
y las raíces no tenian
un lugar fijo

En esas largas caminatas
se estrenaban los dias
y no habia outro lenguaje que vivir
de uma manera recia
desde el origen
casi brutalmente

Sabia que estar
era doblegarse
por disciplina
no por hambre
que era el tiempo de los mitos
de los encantadores
con sus flautas

La medida era el fuego
el bienestar residia
en ser
de pronto
de la crin a los nervios
rebelde
y sin embargo,
el ojo siempre
agrandado
por la mansedumbre

Pero hoy me descubro
tan igualmente a todos
limitado en ideas
en trabajo
y tan sólo
y tan sólo mirando




Now that  I am no longer a horse.


There are signs
 duels of despair
hobos who wander
and grow with the night
with the aromas of the world,
boys like birds
in their shyness

The mountains,  blue´clad sailors
and we here silent,
seeking some flatland
some little town that is more
than this one,
insignificant on its three legs
a shadow in the measure of water
and wine, incessant
at memory's hour
where we collapse on the hillsides
where there is laughter,
like a strange grimace
in the face of our obscene
exposure.

Today I have turned my
dreams inside out like a glove,
I have turned myself out to dry
my heart puzzled
by its seams
and its flanks
by its imminent size
and I am puzzled
to find myself looking
   so much
like a human.

I always thought I was a horse
people called me by my name
and I came
 by gentle instinct

I loved the damp bark
grains as tender as a gift
and I believed
in simple muscles
in the swiftness of air
in impatient, runaway
prayer

In those days
trees were like
warriors
and greenness shot up
from the roots
and roots were fixed
nowhere

On those long strolls
  a debut of days 
and there was no other language
    for living
except in a way that was hard
almost brutal
from the start

I knew that to be
was to give in -
to discipline
and not in hunger
that these were the days of tales
of charmers and their flutes

Measures were welded in fire
and well being meant being
suddenly
from mane to nerves,
a rebel
but always with the wide
rounded eyes of the docile

Today however
I discover myself
 so much the same
as all others,so
  bounded in ideas
    in labor
and watching, 
merely watching.


  English version:

Miriam Adelman

"First Day of the Future"

(from his book, THE PAST, 1985)

First Day of the Future
Galway Kinnell

They always seem to come up
on the future, these cold, earthly dawns;
the whiteness and the blackness
make the flesh shiver as if it's starting to break.
But that is always just an illusion,
always it is just another day they illuminate
of the permanent present. Except for today.
A motorboat sets out across the bay,
a transfiguring spirit, all its little puffy gasps
of disintegration collected
and anthemed out in a pure purr of dominion.
It disappears. In the stillness again
the shore lights remember the dimensions of the black water.
I don't know about this new life.
Even though I burned the ashes of its flag again and again
and set fire to the ticket that might have conscripted me into its
ranks forever,
even though I squandered all my talents composing its emigration
papers,
I think I want to go back now and live in the present time,
back there
where someone milks a cow and jets of intensest nourishment go
squawking into a pail,
where someone is hammering, a bit of steel at the end of a stick
hitting a bit of steel, in the archaic stillness of an afternoon,
or somebody else saws a board, back and forth, like hard labor
in the lungs of one who refuses to come to the very end.
But I guess I'm here. So I must take care. For here
one has to keep facing the right way, or one sees one dies, and
one dies.
I'm not sure I'm going to like it living here in the future.
I don't think I can keep on doing it indefinitely.

O primeiro dia do futuro.


Parecem sempre irromper
no futuro, estas alvoradas frias e terrenas;
a clareza e a escuridão fazem
a pele se arrepiar como se começasse a rasgar.
Mas é sempre uma ilusão,
sempre apenas mais um dia que iluminam
no presente permanente. Hoje é exceção.
Uma lancha inicia sua travessia da bahia,
um espírito que transfigura, seus pequenos sopros
ofegantes de desintegração recolhidos e cantados
num  ronronar de poderio puro.
Ela desaparece. De novo na quietude as luzes
dos cais se lembram das dimensões das águas turvas.
Nada entendo desta vida nova.
Mesmo que eu tenha queimado as cinzas da sua bandeira uma e outra vez
e incinerado o bilhete que talvez tivesse me recrutado para suas tropas
para sempre,
mesmo que eu tenha desperdiçado todos meus talentos compondo meus
documentos de emigração
acho que prefiro voltar agora e viver no tempo presente,
alí
onde alguém tira leite de uma vaca e jatos do mais intenso alimento
vão grasnando para dentro de um balde,
onde alguém vai martelando, um pedaço de aço na ponta de uma vara
batendo um pedaço de aço, na quietude arcaica de uma tarde,
ou outra pessoa serra uma tábua, para frente e para trás como o penoso
trabalho nos pulmões de alguém que se recusa a chegar ao fim.
Mas suponho que estou aqui. Pelo devo que me cuidar. Porque aqui
você precisa olhar em direção certa, porque se não, você vê que você morre,
e você morre.
Acho que não vou gostar de viver aqui no futuro.
Penso que não seria capaz de fazê-lo
sem prazo determinado.


Versão: Miriam Adelman