quarta-feira, 2 de janeiro de 2019

Sign Language Barbie

Sign language Barbie.



     for Denise Duhamel  (my attempt at "Kinky" -inspired poetry,

                                           albeit feeble by comparison)



Barbie floats center stage in her pink dress, her paper-faced

husband forcing a smile.  He is struggling to remember

the gist of the speech she 'll deliver.  Barbie twists her mouth

in a momentary grimace,   not wanting to come off too self-assured,  

the lights that will halo her,   the clumsy demeanor of her

husband, so purple and smothered in his raincloud of fibs.  But

then she's reminded of duty, how she signs to those who can't

hear,  of the image to  recover and the  peanut -crunching crowd. 

The irresistible charm of the  charitable,  like  those English ladies in a film

 she once saw,  so polished in gentle arts of distraction,  so  promptly disguising 

 their scorn for the handmaids. The generals all rode horses back then,

 raised their spectacles to read maps,  wrote home to women in long dresses and

white gloves.  She has never read a British novel, not even a book of etiquette

but swears she has mastered it all by intuition, and the frequent trips to her top-notch

stylist.  In this brave new world, Mattel now offers plastic sheep and pastures,

 a Cyclops to conquer and even Rambo Ken who can morph into a real man, ready to pull

his gun at the first traffic fight.  Yet this Barbie has issues:  how to manage the multiple

movements of  wrists and fingers, make hands that sweep softly up and down in

gestures not too robotic. Mattel calls its engineer army into action, hoping this Barbie

can bring  some good sales to a falling market, one where girls are always wanting more

out of life.   After all, is she not an embodied saviour, poised to return to the unborn their value,

some quiet to the streets,  and a choir of angels to  home and  hearth?

terça-feira, 4 de dezembro de 2018

a viajante ( work in progress)

(eternamente grata a Sarah Valle e a todas
as  viajantes -  de palavra e ato - que iluminam
nossos dias e noites de leitura )


a manhã da viajante

acordei, o sol brilhando como nunca.
era dia de viagem, e a imagem da noite
anterior, ainda uma cena mediterrânea
de barcos quietos na bahia, uma mesquita
branca refletindo os sonhos do porto.
eu também vou seguir adiante,
te disse, porque entre a mulher
e o mar, são anos milhares, rastros,
gritos, alguns prazeres que não desistem
da memoria, um chiaroscuro ainda a
pintar.

segundo dia

quem já ouviu a fúria do vento nas velas
nunca esquece.  entala no peito, enrosca nos cabelos,
ocupa a memoria.  porém, para o navegante
experiente, é outra a historia:  o mastro feito a mãos de
mestre resiste sempre à direção do vento,  a traição
mais simples e mais certeira.

terceiro dia

era hora de desembarcar.
chuva e cheiro de outono. andar
descalça nas pedras da praia
e subir o morro que conduz à cidade.
senti a lama espalhar-se, as folhas
molhadas entre os dedos dos pés.
tentei pinta-las: o alaranjado intenso,
o formato preciso, como pequenas
mãos úmidas marcando caminho.
o gesto condescendente  me segurou
por uns instantes, mas continuei
 como sempre. é só se concentrar,
 o trilho reaparece


quarto dia

era dia de feira.  o sol que se
escondia voltou a esbanjar o povoado,
a colorir os mantos e a aquecer mais
esse vinho que se servia quente. me
ofereceram colares e brincos, e as
castanhas assadas que pude
aceitar, um par de olhos escuros me
indagando,   "e você, quem é? "
ser forasteira pode sempre
ser bom, um enigma que
se preserva.


quinto dia.

as crianças do vilarejo se juntam ao pé da  fonte.  abro
meu coração para suas travessuras, tal como uma vez
fiz para ti,  abrindo as porteiras do pasto verde,  vindo
todos os potrinhos e bezerros  junto.   mas hoje os
meninos dão infindáveis voltas ao poço, pescando as moedas
que restaram ao fundo, todas tão ordinárias como
um dia sem surpresas.  só  eu, que  mudei de língua
sem perceber.


sexto dia

à luz de uma lua antiga
e do óleo que ainda queima na
lanterna de bronze, arde em
mim o receio de prosseguir,
rumo mais uma vez ao sul.
a cabina da travessia cheira
a sal, a peixe.  eu que começava
a amar demais a terra chovida,
os confiáveis jegues que levam
 a lenha no lombo.  não ha
nada mais escuro que a noite
no mar. o habitat suspenso.
os continentes perdendo seus traços
no horizonte

sétimo dia

a carta que escrevo
apenas reinventa.  não
 posso te contar o
 primeiro sonho,  ou como
enquanto o óleo secava,
sentia a febre subir.  esses
olhos que me miravam
não eram os teus.  me
prometiam desvendar
o labirinto do mapa.
caminhávamos lentamente
zelando pelo água, os
alimentos escassos. meus
passos não eram mais
de mulher, senão de
elefante, fêmea. ou de
tigre. íamos ao encontro
do que seria apenas
luz.  apenas som.
apenas pele.  sem
argumento algum.
apenas  -  e entre  os
silêncios - o sim.


oitavo dia

hoje me descubro
membro de uma tribo antiga.
a história me escuta, e eu a ela.
partiram-se já meus navegantes
do Mar Vermelho, e as rústicas
cavaleiras das montanhas do Altai
mas juntos, somos.  me delicio
na sensação dos pés descalços
sobre velhos minerais, grama, e o
pedregoso caminho do templo.
quis que me contasse as lendas
do  teu povo.  tento acoplar
meus passos aos teus. e nada adianta.
deve ser o sangue herdado das bruxas,
me criou impulso, me criou
estrada.  apesar das pernas curtas
ou o cheiro de fêmea,ou os
lastros dos partos. não entendo
o que os deuses tanto falam
para os fieis. ou para seus pacientes
intérpretes. prefiro é viver
a passagem da escuridão ao
 lado dos bichos, os camelos que
mastigam a noite toda, cabras,
bezerros.  e você lá no meio
dos homens, horas de xadrez,
baralho, os copos do arak. o
sol nos aguarda em portos
diferentes.





sexta-feira, 16 de novembro de 2018

december



i.
the city opens its eyes on the day, the servers up early
carrying  trays of ham too pink, cheese in thin
orange slices,   coffee steaming from chipped goblets,
platters of crusted doughnuts.  morning chatter dims 
televised voices.  fires on the screen.  at the
crumpled margins of the heart  there is a little
girl knocking with scruffy fists.  she is gone before the
light changes. everyone munching their breakfast as if
nothing were coming to an end

ii.

we drive toward the border
where east and west touch gently
like the softest of fingertips.
there is something deep in the shallow
of your eyes   and I move closer,
already knowing you, not the type
 to be trusted. out on the plains
 it is early winter,  the 
bison are scavenging.  whatever
you imagine me to be, it
is unlike this long trail of 
stories that brought me  here. in 
the clay and fire of an afternoon, i
wind slowly backwards
toward the center of
life

iii.

at the corner,  & back on foot.
to return to the city is always
half heartbreak.   pigeons
and  peeling walls, a bus
spewing its  tar out  into
 the crowd.   desire for
beauty undoes us again
and again.  a hoary morning
and something too sad to be
put to music. i cradle this
last gentle medicine to
my bosom, this sweet child
 who has lost all chances
 of survival

domingo, 21 de outubro de 2018

water


i would wish you luck if i could.
if desire were not in the picture,
in  the wind.  if talk were cheap.
if the pools of water  reflected
 nothing. thick veil it is that
 pulls the rain over the
 city, this one that you once
dreamed of,  this one in which
i almost drowned. so thanks be there 
to some unbroken goddess that
 we still got our day of sunshine, the
silver respite of the road,  our chariot
of galloping ponies fit neither for  tropics
nor  northern woodlands.  as we lay
in the clearing i thought for a moment
we might find some  berries, share
the  red juice dribble over drying leaves,
a return amid the thick  amber
dust,   taking perhaps the longest
path homeward.  now it is
this water that sends me out
again into the thickness,  hands
and breath moving counter to despair
seeking short  or connected acts of
survival, and there is no lifeboat you can
take to reach me,  here on the brink of
this sea that is our mother, her daughters
  rising higher than the tide

segunda-feira, 15 de outubro de 2018

Tales of one city (uma crônica em elaboração)

TALES OF ONE CITY (uma crônica em fase de elaboração)
Lembro claramente do choque que tive quando cheguei a Curitiba, início dos anos 90, após muitos anos morando primeiro, na cidade de México e depois, em NYC, e me vi diante de atitudes cotidianas de pessoas da classe média curitibana 'típica', que eu - sempre esperando o melhor - logo descobri preconceituosas, egoístas, com preocupação quase exclusiva com a própria família, a pesar de todos os conflitos que esta última também lhes trazia. Com isto eu quero dizer que era totalmente evidente que eles, como todos nós, passavam por muitos problemas nas suas vidas pessoais: nos seus casamentos e relações amorosas, com seus filhos, com o próprio desejo, com a violência doméstica e assim por diante; contudo, mantinham tudo recalcado, disfarçado, para tentar sustentar publicamente a cara da 'família tradicional feliz'. Nunca tinha me visto diante de tanta hipocrisia.
Nem preciso dizer que a palavra 'feminismo' era anátema. Na época, porém, eu me dedicava à pesquisa que nesse tempo pertencia a meu projeto de doutorado. Era sobre 'relações de poder no casamento'. Assim, mesmo sem carro e sem conhecer bem a cidade, eu pegava ônibus para cima e para baixo, gravando entrevistas com mulheres de 'classe média' e 'classe trabalhadora', empregadas, profissionais, donas de casa, que davam depoimentos sobre o que era, para elas, ser mulher casada, com filhos pequenos, nos anos 90. Das muitas que eu lembro - e sobre as quais já escrevi - lembro de uma moradora de periferia que me recebeu na sua casa - uma casa de material, linda e super arrumadinha- cujo marido tinha oficina de mecânica, tipo 'fundo de quintal'. Ela me disse que seu marido a tinha proibido de trabalhar fora, mas ela, desejosa de uma atuação fora do âmbito doméstico, inventou então de fazer um trabalho voluntário 'com os pobres' ... se me lembro bem, ajudando outras mulheres a aprender a ler e escrever. Pois o que ela mais queria, mais ainda do que ter o 'dinheiro dela' (importante para tantas mulheres que falaram para mim das suas necessidades de autonomia financeira) era participar da vida pública e social. Ela que era uma mulher católica, e não tinha vínculo algum com a vida política organizada. Nessa época, vale acrescentar, eu ainda falava mais portuñol do que português, mas mesmo assim, arregacei às mangas e me joguei 'no campo', onde logo comecei a conhecer esse outro universo, que contrastava com o egoísmo e 'umbiguismo' que prevalecia no bairro de classe média em que a gente morava. Foi também nessa época que sofremos uma situação de abuso por parte da proprietária do prédio onde moráva
mos, bem nesse bairro de 'classe média típica curitibana' (notem bem as aspas, pois nas ciências humanas, sabemos que as generalizações são tanto necessárias quanto tristemente enganosas..) Essa experiência foi , para mim, uma marcante aprendizagem também, lição sobre algumas 'raízes do Brasil'... pois a proprietária e sua família (que incluía um marido bem tipo coronel que bebia muito e a quem ela detestava, embora como parceiros de negócios defendessem seus 'interesses' a unhas e dentes) vinham do interior, onde tinham sido fazendeiros; falavam dos empregados da fazenda com muita condescendência, e ao que tudo indicava, conosco, que morávamos no prédio que eles construíram para poder viver de rendas aqui na cidade, esperavam ter o mesmo tipo de relação bizarra. Bom, para encurtar a história, pelo menos por enquanto, vou contar que desatou-se um conflito por conta de um simples questionamento que lhes fizemos sobre ajuste de aluguel, que se traduziu em mudança completa comportamental dos srs: da atitude paternalista, para o assédio cotidiano (tipo de desligar a eletricidade quando estava no elevador com meus dois filhos pequenos, ou fazer uma macumba na porta da nossa casa..). As outras famílias moradoras do prédio também sofriam das arbitrariedades dos proprietários, mas quando falávamos com elas para obter um pouco de apoio (moral, antes de mais nada), diziam que a pesar de entenderem perfeitamente, 'não queriam se meter'. Daí outra vez, a gringa que eu era, que eu sou, de certa maneira, se chocou, pois nunca na minha vida tinha vivenciado essa absoluta falta de solidariedade vindo de outras pessoas adultas e que se sabiam diante de uma situação de injustiça... Bem, embora sendo uma triste introdução a uma 'cultura local' que não consegui esquecer, eu, como a pessoa otimista que sou por natureza, logo 'esqueci': a gente se mudou, e eu embora detectasse essa mentalidade em outros lugares e outros 'personagens', fui dando mais importância a outras coisas- ao nosso trabalho na UFPR, aos meus filhos que cresciam e se tornavam excelentes pessoas, aos e às jovens que eram meus alunos e alunas na universidade, cada vez mais questionadores, abertos para o mundo, críticos de discursos e práticas antigas , esses que sustentam até hoje ainda terríveis desigualdades de classe, raça e gênero e poderes simbólicos violentos e podres. Botamos nossos corações e mentes numa luta que estava nos levando para algum lado, permitindo a visão de um mundo solidário, e talvez, com sorte, ainda a sobrevivência de um planeta tão destruído e depredado pelo egoísmo e cobiça humanos....
PS Esta história nem tento finalizar ela hoje. Prefiro deixá-la em aberto, pois há tanta coisa em jogo agora, neste momento e conjuntura. Será que terei que retomar o fio, em tons absolutamente trágicos? Será que ainda há pessoas que 'dormiram no ponto' e podem acordar?


terça-feira, 24 de julho de 2018

A Fence/ Uma Cerca by Carl Sandburg



Illinois poet Carl Sandburg   1878-1967


A Fence

Now the stone house on the lake front is finished and the workmen are beginning
the fence.

The palings are made of iron bars with steel points that can stab the life out of any man
who falls on them.

As a fence, it is a masterpiece, and will shut off the rabble and all vagabonds and hungry men
and all wandering children looking for a place to play.

Passing through the bars and over the steel points will go nothing except Death and the Rain and
tomorrow.

A Cerca

Agora que terminaram a casa de pedra à beira do lago, os pedreiros começam a cerca.

As estacas são barras de ferro, com pontas de aço que esvaíram a vida de qualquer homem que cai sobre elas.

Como cerca, é obra prima, fechando passagem à plebe, a todos os vagabundos e famintos, a todos os filhos errantes que procuram um lugar para brincar.

Passar entre as barras, ou por cima das pontas de aço, à nada levara, senão à Morte, à Chuva, ao Amanhã

tradução:  Miriam Adelman


Dois poemas curtos do livro mais recente de Mosab Abu Toha

 Do livro  FOREST OF NOISE.                    de Mosab Abu Toha                      versões:  Miriam Adelman Aldeia Palestina. Na colina d...