segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Ramadan (new one of mine)


Ok, this one came out in Portuguese.  I've now done the English version as well, but don't find it as convincing...



Ramadan

Não tinham como se entender.
O encontro veio por acaso,
Cada um  chegando do seu ponto cardinal
ao centro da praça,  onde os turistas desciam
dos charretes para fotografar  serpentes mansas,
    cegos e domadores de camelo.
Por filosofia entendiam mantras diferentes,
e à cada coisa a imagem que havia por trás
               ou por dentro
se pintava em tons distintos:
   “quarto”, “cortina” ou “ venha comigo”.
Foi apenas um momento que suspendeu os rumos:
cruzar juntos uma antiga ponte de pedra e
ouvir o mesmo som do rio balançando embaixo,
   esperar o sol
quente ceder ao momento da noite,
ao banquete e um lugar onde os corpos
virassem água.  Onde viria o desfile
dos cavalos de todas as cores, e um
vento do deserto ou
     melhor dito, uma brisa leve
com a qual seria possível
conviver.   A mesquita no alto não destoava:
era puro encanto,  como  uma diferença a mais,
algo talvez para diminuir a sua, embora
   decifrar-se em alguma noção comum
                   do humano
nunca fora suficiente.


Ramadan.

No mutual understanding was possible.
They had met by chance, each one
arriving from his or her own direction
toward the center of the plaza, just where the tourists
dismounted carriages to take their snapshots
of gentled serpents, blind men and camel trainers.
Philosophy had to each its meaning
and for each thing, the image that lay behind
or underneath it took on different tones,
like "room", "curtain" or "come with me".
It was hardly more than a suspended moment:
crossing an old stone  bridge and listening together
to the water swishing underneath
and waiting for the hot sun to yield to the night
for the banquet and the place where bodies
turn momentarily into water, and then
the parade of colorful horses, and a wind from
the desert, or better yet, the gentle breeze
that one can so easily live with.

Up on high, the call from
the mosque was pure delight,
like one more difference, one that might perhaps
shrink the abyss separating them, although
looking to some common notion of being human
would never be enough.


- both versions by Miriam Adelman
.

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