("bringing words together") poesia, crônica, fotografia, tradução//poetry, stories, photography, translation ///// /// ©miriamadelman2020 Unauthorized reproduction of material from this blog is expressly prohibited
domingo, 26 de junho de 2011
Joyce Johnson, " Minor Characters" - mais um fragmento
“No final dos anos 1950, mulheres jovens – poucas, no início – mais uma vez saiam de casa com uma certa violência. Elas também vinham de boas famílias, e seus pais nunca conseguiram entender como as filhas que eles tinham criado com tanta dedicação poderiam escolher uma vida precária. Se esperava de uma filha que ela ficasse sob o teto dos pais até casar, mesmo se trabalhasse um ano, mais ou menos, adquirindo assim um pouco de gosto pelo mundo - mas não muito! Experiência, aventura – estas coisas não eram para mulheres jovens. Todo mundo sabia que as aproximariam do sexo. Sexo era para os homens. Para as mulheres, sexo era tão perigoso quanto a roleta russa; uma gravidez indesejada ameaçava a vida em mais de um sentido. Quanto à arte – as jovens estilosas tinham um lugar como musas e admiradoras.
As que entre nós empreendiamos o vôo para fora não achávamos modelos utilizáveis para aquilo que faziamos. Não queríamos ser nossas mães ou professoras solteironas ou mulheres profissionais duronas como elas eram retratadas na tela. E ninguém tinha nos ensinado como ser escritoras ou artistas. Sabíamos um pouco sobre Virginia Woolf mas não a achávamos relevante. Os privilégios que ela tinha nos desencorajavam, nascida como era num meio literário, e de conexões e riqueza. O “teto todo seu” do qual ela escrevia pressuponha que seu habitante tivesse uma pequena renda familiar. Com nossos cursos superiores, a gente poderia datilografar até fazer uns $50 dólares por semana - apenas o suficiente para comer e pagar o aluguel para um pequeno apartamento em Greenwich Village ou North Beach, sobrando pouco para sapatos ou pagar a conta de luz. Nada sabíamos sobre a romancista Jean Rhys, quem numa época anterior tambem tinha fugido da respeitabilidade, boiando perigosamente na Boemia Parisiense da década de 1920. Talvez tivéssemos nos identificado com sua falta de confiança naquilo que escrevia ou tomássemos como uma alerta a passividade corrosiva das suas relações com os homens. Mesmo assim, nenhuma alerta teria nos parado, com toda essa fome que tínhamos de abraçar a vida e tudo que fazia parte da realidade. A própria dureza da vida era algo para saborear.
Naturalmente, nos apaixonávamos por homens que eram rebeldes. Caíamos muito rapidamente, acreditando que nos levariam junto nas suas viagens e aventuras. Não esperávamos ser rebeldes por conta própria; não contávamos com a solidão. Uma vez que encontrávamos nossos parceiros masculinos, uma fé cega nos impedia de desafiar as antigas regras do masculino e feminino. Éramos muito jovens e tínhamos dado um passo maior do que a perna. Mas sabíamos que tínhamos feito algo que exigia coragem, algo quase inédito. Éramos as que ousaram sair de casa."
Versão: Miriam Adelman
sábado, 25 de junho de 2011
Outro poema de Diane di Prima
de mais um poema de Diane di Prima (disculpem, mas por algum motivo
não consigo manter o formato do poema ao passá-lo aqui para o blog):
THE LOBA ADDRESSES THE GODDESS/OR THE POET AS PRIESTESS ADDRESSES THE LOBA-GODDESS
A LOBA SE DIRIGE À DEUSA/OU A POETA COMO SACERDOTISA SE
DIRIGE À LOBA-DEUSA.
Não é a teu serviço que eu me desgasto
correndo em farrapos entre as colinas, levando as crianças
de carro para assistir filmes esquecidos? A teu serviço
vassoura e caneta. Os banquetes monstruosos
que servimos para os outros na varanda
(em casa temos só arroz e sal)
E vestimos nossa exaustão como um roupão pintado
Eu & minhas irmãs
resgatando a mercadoria de pais
avaros e moribundos
curando umas às outras c/água e ervas amargas
de jeito que quando ficamos nuas, de pé no círculo da luz
(do lado do poço pequeno, na pequena mata próxima)
não revelamos nenhum defeito, também nenhuma
beleza supérflua.
Foi-se, nas medidas da noite.
Ô Semente, Ô manto de estrelas, tentamos te capturar
esguio, de luto
esfarrapado, triunfante
desgrenhado como um gramado
nossa pele dói do parto/escuridão da lua.
versão: Miriam Adelman
domingo, 12 de junho de 2011
It Takes Two to Tango
of a hard time, since initially it was supposed to be
funny, and now seems to have ended up more on the melancholy or
reflexive side. ( I wish, though, that it had come out more
humorous, because I swear that would better
reflect my state of spirit on these matters, these days...)
It Takes Two to Tango
Avenida 18 de julio
y suave la entrada del invierno
en Montevideo
we take in the evening
you, chain smoking in the crisp air
me, unbuttoning the grey wool jacket,
the unexpected warmth of the season
and around us, the plaza, the couples
sliding so ever-so gently
to the long, sweet chords
such perfect synchrony
if only through the tender beats of
the evening, as long as the dance goes on.
Stubborn girl, crazy boy.
It could be that everyone finds their rhythm,
or their moment – to samba or salsa,
to dance the waltz or rock n’ roll
and i think if i could master the movements
i´d choose forró -
which like the tango must be danced
in pairs, but is quicker and makes you laugh
at the parting, or losing the beat
yet tonight in Montevideo
there is music floating around us
with a penchant for tragedy
and they tell us, this is a city
of the old, and a grandfather
pulls his granddaughter gently by the hand
and like me she cannot
master the beat and the steps
as time spills messily around us,
as if that were the formula - a life
unfolding always in pairs, a language
of complicity or duplicity,
in which i am only falsely fluent.
what grabs you more?
is it tragic or comic,
together, apart?
the dancing ends early here,
but there is still Malena, singing
into the night of this city of old.
my choice, perhaps, should be
the pampas,
solitary ride under moonlit dome
or moving with the throngs,
just one more in a galloping herd
where if i lose the rhythm,
fall out of synch, don´t
deliver the goods
no one will notice:
no cruel duels,
no emptied side of the
bed or the closet,
and we can just go on with our lives
under the stars
of this planet
of billions
segunda-feira, 23 de maio de 2011
Um poema de Diane di Prima
a Diane di Prima merece ser mais conhecida por aqui também. Vai, pois,
a minha primeira e pequena contribuição nesse sentido:
Carta Revolucionária #1
(Revolutionary Letter #1)
Acabo de perceber que o que está em jogo sou eu
Não tenho outra moeda de resgate, nada para
quebrar ou trocar, a não ser minha vida
meu espírito parcelado, em fragmentos, esparramado sobre
a mesa de roulette, eu recupero o que posso
só isso para enfiar embaixo do nariz do maitre de jeu
só isso para jogar pela janela, nenhuma bandeira branca
só tenho minha pele para oferecer, para fazer minha jogada
com esta cabeça imediata, com aquilo que inventa, é a minha vez
enquanto deslizamos sobre o tabuleiro, e sempre pisando
(assim esperamos) nas entrelinhas
Diane di Prima
versão: Miriam Adelman
As mulheres escritoras da Geração Beat
"Eu vejo a garota Joyce Glassmann, vinte e dois anos, com o cabelo comprido passando dos ombros, vestida tudo de preto como Masha no livro A Gaivota – meia calça preta, camisa preta, blusa preta- mas à diferença da Masha, ela não está de luto por sua vida. Nem poderia, nessa cadeira na mesa no exato centro do universo, este lugar de meia noite onde tanta coisa converge, o único lugar na América que está vivo. Como fêmea, não pertence completamente a esta convergência. Um fato que ela ignora, sentada na sua excitação enquanto as vozes dos homens, sempre dos homens, sobem e descem de tom apaixonadamente, e seus copos de cerveja acumulam,e a fumaça dos seus cigarros sobe rumo ao teto e seguramente a cultura morta está despertando. Simplesmente estar nesse lugar, isso em si - ela o diz a se mesma- é suficiente".
de: Minor Characters, de Joyce Johnson
segunda-feira, 9 de maio de 2011
Mother's Day, 2011.
White Material. And thinking about all of us mothers,
and especially, mothers of sons...
(But let there be no room for doubt: my sons know where
they stand on this one. And can´t let mother's day
talk go by without thanking them for whom they have become!)
First revision: December 12, 2023
Mother’s Day (A. T., 2011)
.
My
mare and I climb
the last dirt road of the
outskirts, past the smokey lot
where some boys at their
half toothless end of childhood
wave at me. A wisecrack or two,
they return to business fanning debris
into flame: a
red t-shirt,
coke bottles, milk cartons,
little plastic pools forming
over layers of stone and broken
asphalt. We meander the hill
to its apex to
the boulder
overlooking this little top of the
world
a place where it seems we are truly
alone,
just Madja and I her
small ears
flicking backward to capture my
voice,
forward again for the perfect
canter,
the sandy trail coiling around a
wall of stone
and pine trees split open near the root,
and no more than a rein on a halter
to tether our bond.
Return through the village,
my mare dances in careful steps
over hardened sandstone.
One tiny hoof at a time
she is protecting me
and the foal to be born
when the seasons shift
when the moon changes.
The boys in turn have run off
elsewhere leaving
their wrinkled pile of rubble
the muddy mutts who yap
underfoot
and the senhoras, who pause in
the yellow winter sun to chat while
arranging their trash bags for pick
up.
A girl with baby in arms, is it
hers?
In last night’s film,
a mother whose son
went up in flame is
history taking its course as
on all those days we can do nothing
to stop it.
We take stony roads sandy paths
or follow the course of the flood
to the top or the bottom of the world.
Wastelands are burning on both sides.
And no use trying to stop the boys
once they’ve gone awry.
segunda-feira, 2 de maio de 2011
Traduzindo...
seu nome!) que disse que traduzir alguém é se apaixonar por suas palavras (ou
melhor dito , escolhemos traduzir alguém por estarem apaixonad@s
por suas palavras). Needless to say, amei essa frase.
Bom, hoje vai um poema de um poeta novo para mim, Tony Hoagland
(nascido nos EUA em 1953), dica repassada por minhas irmãs.
Este poema dele -versão ainda não revista por nenhuma das minhas
revisoras amigas-, deve ser seu diálogo com o maravilhoso America de Ginsberg (e também, com o "Supermarket em
California", um dos meus poemas preferidos, de todos os
poetas em todos os tempos):
América
Tony Hoagland
E daí um dos meus alunos com o cabelo azul e um piercing na língua
Me disse que a América é para ele uma prisão de segurança máxima
Seus muros feitos de RadioShacks e Burger Kings e episódios da MTV
Onde programas e comerciais se confundem
E enquanto eu pondero como lhe dizer que ele só fala merda
Ele relata que mesmo quando vai rumo ao shopping
no seu Isuzu
Trooper com seu bando de amigos, a música rap
derramando sobre eles
Como uma hidromassagem fervente cheia de martelos de metalúrgico,
mesmo nesse então
Ele se sente enterrado vivo, preso e asfixiado nas dobras
Do volumoso edredom de seda da América
E eu me pergunto se é esta uma legítima categoria de dor
Ou só enrolação para granjear uma boa nota
E daí eu lembro que quando eu apunhalei meu pai ontem no meu sonho
Não era sangue senão dinheiro
Que jorrava dele, resplandecentes notas verdes de cem dólares
Que saiam das suas feridas – e é esta a parte estranha -,
Que ele arfava “ Graças a Deus – esses Ben Franklins estavam
Entupindo meu coração –
Assim eu morro tranqüilamente
Liberado daquilo que me impedia minha liberdade”
E foi nesse momento que eu percebi que era sonho, porque meu pai
Nunca ia me falar em estrofes rimados,
E eu olho para esse aluno com seu acne e seu telefone celular
e sua roupa de vileiro falso
E eu penso “Eu também estou na América dormindo
E também não sei como fazer para acordar”
E daí eu lembro o que o Marx falou perto do final da sua vida:
“Eu estava ouvindo os gritos do passado
Quando devia estar escutando os gritos do futuro”
Mas como ele ia imaginar os cem canais de tv a cabo 24 horas
Ou que tipo de pesadelo seria
Quando todos os dias você assiste passar os rios coloridos de mercadorias
E você boiando no teu barco de prazer neste rio
Mesmo enquanto os outros se afogam embaixo de você
E você vê seus rostos retorcidos na superfície das águas
E a mão que fica aumentando o volume
parece ser a tua?
Dois poemas curtos do livro mais recente de Mosab Abu Toha
Do livro FOREST OF NOISE. de Mosab Abu Toha versões: Miriam Adelman Aldeia Palestina. Na colina d...
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Visit the link below to check out my contribution to the #maisarte Arts Fair and Exhibit, Serra do Cipó, Minas Gerais , May 17th -21st, 2...
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Você não veio ao mundo para ver os seus ossos embranquecerem nas águas brancas de um rio Bou-reg-reg nem para contemplar a sua som...
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